Início » Antigos colaboradores recordam primeiros passos de O Portomosense

Antigos colaboradores recordam primeiros passos de O Portomosense

6 Janeiro 2024
Isidro Bento

Texto

Partilhar

Isidro Bento

6 Jan, 2024

Em dia de aniversário estivemos à conversa com dois dos primeiros colaboradores de O Portomosense, tentando perceber que impacto teve, à época, o aparecimento deste jornal e qual o papel que cada um assumiu na fase inicial do projeto.

Joaquim Ângelo, professor aposentado, acompanhou o nascimento à distância. Aliás, em boa verdade só soube dele quando mão amiga lhe fez chegar o primeiro exemplar à Suíça, onde dava aula de Português e Cultura Portuguesa. «Fiquei felicíssimo e então felicitei o senhor João Matias [fundador e primeiro diretor de O Portomosense] pelo projeto e ele, em resposta, propôs-me que eu colaborasse a partir de lá. Aceitei e comecei a mandar crónicas intituladas Mensagem da Suíça», conta.

«Eu tinha o projeto de, quando voltasse, formar com alguns amigos um jornal. O senhor João Matias e as pessoas que o acompanhavam anteciparam-se e ainda bem, fiquei feliz por isso, e era menos uma árdua tarefa para mim», diz bem-disposto.

À Mensagem da Suíça juntou-se algum tempo depois o Portomosense Tauromáquico. Dois anos depois, Ângelo decide mesmo lançar-se a sério nas lides jornalísticas e funda, naquele país, O Portucalense. João Matias, que o conhecia desde os tempos em que fez «uma formação no Século», vai acompanhando todo o percurso e anos depois, quando decide deixar o cargo de diretor, propõe o seu nome aos responsáveis pela CINCUP, o que é aceite. «Tive a honra de ser o segundo diretor a convite do próprio fundador e do João Neto, o que fiz com muito gosto», conta.

Joaquim Ângelo recorda o aparecimento de O Portomosense como «um acontecimento inesperado e urgente». «Inesperado porque ninguém estava a contar que aparecesse um jornal em Porto de Mós e urgente, porque era dos poucos concelhos que não tinham um. Havia (e há) o Voz de Mira de Aire mas cobria essencialmente a sua freguesia e, além disso estava ligado à Igreja enquanto que este nasceu para cobrir todo o concelho e sem conexão a qualquer confissão religiosa».

O aparecimento «a todos agradou», especialmente na emigração, onde «teve um impacto extraordinário». «Era uma coisa muito importante, as pessoas vibravam com isso. Era a ligação palpável que os emigrantes tinham à sua terra e não havia quem não o quisesse assinar», explica o antigo professor natural da Cumeira de Cima.

Mário Januário, administrador tributário aposentado, natural do Chão das Pias, residente em Alcaria, foi também um dos primeiros colaboradores. Fê-lo em dose tripla a pedido de João Matias, que o procurou no sentido de perguntar «se podia ajudar na dobragem do jornal (algo que permitiria reduzir os custos)» e na angariação de assinantes, além de ser correspondente em Alcaria. Mário Januário a tudo disse que sim, entregando-se de corpo e alma a essas tarefas. «Deslocava-me a Porto de Mós para a dobragem e depois distribuía o jornal aqui à saída da missa. Cheguei a entregar pessoalmente, não só em Alcaria mas também em Alvados e Mira de Aire e tal como eu, outros o fizeram noutras zonas. Partilhei com o senhor João uma lista enorme com o nome de muitos emigrantes e com isso conseguiram-se dezenas e dezenas de novas assinaturas. Por último, fui com imenso prazer, correspondente, algo que tive de deixar por dificuldade em conciliar com as obrigações académicas que tinha na altura. Ficou o professor Rosa Jorge, de Alvados», recorda.

À semelhança de Joaquim Ângelo, Mário Januário sublinha a importância que foi para o concelho o aparecimento de um jornal concelhio e «independente de qualquer poder político ou religioso». «Naquele tempo não havia telemóveis, muito menos internet, era um contexto completamente diferente. Muita gente não tinha outra fonte de informação que não fosse o jornal e isso ainda era mais notório na comunidade portomosense emigrada, pessoas roídas de saudade e que tinham aqui o seu ponto de contacto com a terra natal», refere a título de exemplo.

Para o antigo administrador tributário não há dúvidas: «João Matias foi a mola impulsionadora do projeto. Contou com a colaboração de muita gente porque era um homem bom, generoso, trabalhador e muito considerado. Com Artur Vieira e José Costa, montou em cada freguesia um esquema multiplicador que funcionou. O que importava era que O Portomosense chegasse a toda a gente e a todo o lado, emigração incluída, tanto em termos de notícias como de colaboradores e assinantes, e o que eu fiz, outros o fizeram nas suas áreas de residência», frisa com orgulho pelo resultado final destacando ainda «a independência e a riqueza do projeto bem patente no seu primeiro editorial».

OS PRIMEIROSA ANUNCIANTES

A 1.ª edição de O Portomosense contou com o apoio de nove anunciantes, das áreas do comércio e serviços, indústria e banca, bem como da Câmara Municipal de Porto de Mós.

Refira-se a título de curiosidade que cinco dessas empresas e instituições bancárias ainda hoje continuam em atividade, sendo que uma outra mantém-se na sua área de mercado de origem, mas com nova designação comercial e outros proprietários. Outro pormenor curioso tem a ver com o facto da Pensão e Café Lena (que já não existe) ter sido a primeira empresa a usar as páginas de O Portomosense para saudar os seus clientes com votos de um Feliz Ano Novo. Hoje, são largas dezenas divididas por duas edições especiais de Natal.

Os primeiros anunciantes foram:

  • Alvaro Moreira da Silva – Papelaria Boavista
  • António Maria Crachat, Lda
  • Serilena- Serigrafia do Lena
  • Foto Alex
  • Caixa Geral de Depósitos
  • Narciso, Alves & Cª., Lda
  • Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Porto de Mós
  • RICEL– Indústrias de pré-fabricados de Betão e Cerâmicas, Lda
  • Pensão e Café Lena
  • Câmara Municipal de Porto de Mós

Fotos | DR

Publicidade

Este espaço pode ser seu.
Publicidade 300px*600px
Half-Page

Primeira Página

Em Destaque