António Alves, o candidato à Câmara de Porto de Mós pelo Chega quer quebrar «o rotativismo entre PS e PSD». «Queremos oferecer uma alternativa a este poder, mudar este quase vício, esta rotação, ora um, ora outro», afirmou António Alves no decorrer da cerimónia de lançamento da sua candidatura e de apresentação dos cabeças de lista à Assembleia Municipal e a algumas juntas de freguesia.

Desta afirmação de princípio, António Alves, avançou para uma análise crítica às potencialidades e necessidades do concelho adiantando algumas propostas. Assim, para o candidato é fundamental que Porto de Mós saiba usar a seu favor «uma centralidade absolutamente invulgar» tornando-se «o centro e a placa giratória para chegar a vários pontos da região» e com os quais devemos estreitar laços. O concelho tem muito para oferecer mas Alves lamenta que os portomosenses falem disto de «uma maneira desligada e solitária». «Temos o castelo mais bonito do país mas o que sabem os portomosenses do seu castelo para poderem falar dele a quem nos visita ou por esse país fora? Qual é a dinâmica cultural que lá é levada a cabo? Connosco o castelo vai ter um programa vivo e continuado ao longo de todo o ano», prometeu.

«Quase meio século depois do 25 de Abril, há polos aglutinadores ou fatores de coesão que ainda não existem como um programa de desenvolvimento do turismo que envolva as pessoas». É tempo também de se «fazer chegar o saneamento básico a toda a população», considerou, criticando «quase 50 anos sem se viabilizar um hotel na vila de Porto de Mós, sem se requalificar a Casa dos Calados no Juncal e sem se dar a conhecer os nossos escritores e artistas».
«Temos de apostar na cultura. A cultura e a economia têm de andar de mãos dadas. Até aqui a cultura tem sido uma questão residual, de quase entretenimento, de apoios apenas para manter as coisas vivas», sublinhou. António Alves alertou, ainda, para a necessidade de se preservar o património industrial como é o caso das «20 chaminés de antigas cerâmicas em que ninguém repara» e de divulgar melhor o património arqueológico.

O candidato do Chega identificou o fator humano como a grande aposta e isso passa por «apostar no talento e na criatividade». Temos também de apostar no conhecimento e ter aqui um polo universitário e e uma escola técnica. Porto de Mós tem de ser um centro que também divulga conhecimento e este estar muito ligado aos nossos principais setores», sublinhou no seu discurso.

«Apostar na iniciativa privada e nos projetos» é prioritário e por isso prometeu criar «um gabinete de informação sobre os fundos comunitários». Para a juventude quer criar um programa para que os jovens tenham a possibilidade de viajar ao estrangeiro e conhecer outras realidades, prometendo ajudar aqueles que não tenham condições económicas para isso.

«Fazer interagir as empresas com as escolas, as escolas com a comunidade, crianças e jovens com idosos» é, no seu entender, fundamental. Dar relevo ao que de melhor se pode encontrar e fazer em Porto de Mós é outra das apostas sendo sua intenção criar «o festival dos jogos populares» e promover «jogos de resiliência». No campo da saúde garantiu que se o problema da falta de médicos não for resolvido pelo poder central, a sua câmara irá resolvê-lo. Prometeu ainda apoios para as pessoas mais desfavorecidas poderem «ir ao dentista ou comprar óculos».

Para contrariar a desertificação e «a perda de mais de mil pessoas em dez anos», António Alves afirmou que o acolhimento de famílias estrangeiras, nomeadamente já reformadas pode ser uma ajuda. Já quanto aos apoios à natalidade referiu que os 500 euros disponibilizados pela Câmara «não são nada e ninguém pensa em ter um filho a pensar nesse valor, ainda para mais, dividido por três anos», por isso prometeu aumentá-lo dez vezes.

O candidato anunciou que caso seja eleito vai construir «um centro de artes e criatividade e dentro do mesmo edifício haverá um espaço dedicado aos saberes tradicionais». No campo da música quer «trazer para aqui ciclos de música instrumental» a realizar de dois em dois anos. «Encontrar uma maneira de requalificar os moinhos de vento porque são a marca de Porto de Mós» é outro dos seus objetivos.

Já na reta final, a análise crítica estendeu-se às candidaturas que elege como suas adversárias: «O engenheiro João Salgueiro é o homem marcado pela obra que fez, o homem da obra física. Eu não quero ser bota abaixo e reconheço muita coisa que foi feita mas o capital humano é mais importante que o físico e esse elemento não existe nessa candidatura. Muita obra foi feita mas com pouco aproveitamento e não foi ligada às pessoas». Por sua vez, «Jorge Vala é o homem que quer pôr Porto de Mós no mapa mas eu acho que era preciso primeiro mapear as necessidades dos portomosenses. Nós temos de fazer diagnósticos de tudo. Precisamos saber a nível social se os munícipes precisam disto ou daquilo e se há pessoas completamente fora da nossa comunidade precisam ser chamadas a envolverem-se», concluiu, frisando que tem «um Porto de Mós diferente para fazer no futuro».

Candidata à AM quer incentivar debate democrático entre forças com diferenças ideológicas bem marcadas

Sandra Sousa, solicitadora de profissão, a candidata do Chega à Assembleia Municipal de Porto de Mós compromete-se, caso seja eleita, a «criar um espaço um verdadeiro espaço de debate democrático com as suas evidentes diferenças ideológicas, movida de um forte espírito cívico de entrega apaixonada à causa pública», convicta de que «na diversidade de opinião é possível congregar soluções unânimes tendo em vista a construção de um futuro melhor para todos». Essa foi, pelo menos, a promessa que deixou na reta final da cerimónia de apresentação dos candidatos do Chega aos diversos órgãos autárquicos locais.

«Aceitei o desafio que me foi lançado, sentindo-me capacitada para gerir os trabalhos da Assembleia Municipal promovendo o acompanhamento e fiscalização do trabalho da Câmara», justificou.

«Sou exigente, rigorosa e sensível aos problemas de todos. Comprometo-me a ouvir toda a população, a procurar consensos e a trabalhar em prol do bem estar de todos os portomosenses, atenta à dinâmica do executivo pois é este o órgão a quem compete gerir o destino do nosso concelho», afirmou ainda, garantindo que «podem todos acreditar que aqui todos se sentem representados».

Durante a mesma sessão, o coordenador concelhio do Chega, João Faustino, mostrou-se convicto de que o partido tem boas propostas e bons candidatos para apresentar ao eleitores portomosenses.

António Alves, o candidato à Câmara, é licenciado em Psicologia e apesar de ter longa experiência na área empresarial, a Cultura, nas suas mais diversas vertentes tem sido aquela onde se tem destacado, daí que ninguém tivesse estranhado que a sua apresentação contasse com dois momentos musicais. Convidou Mayya Rud, uma cantora lírica ucraniana, amadora, que emigrou para Portugal há mais de 20 anos e com quem António Alves tem feito inúmeras atuações. Escolha natural ou fruto de estratégia política pura e dura? As opiniões dividem-se. O certo é que a senhora cantou e encantou mesmo tendo como espectadores, militantes e simpatizantes de um partido que é visto, habitualmente, como anti-emigração…

Lista de candidatos:

Câmara

António Alves
Carlos Rosário
Beatriz Gomes
Vítor Cordeiro
Maria Saldanha
Licínio Ferraria
Célia Costa

Assembleia Municipal

Sandra Sousa

Juntas de Freguesia

Juncal – João Faustino
Porto de Mós – António Matias
Arrimal e Mendiga – Licínio Ferraria