Aprender com os outros nas férias

by | 9 Set 2020

Sair da nossa terra, nem que seja por dois ou três dias, dá-nos a possibilidade de conhecer outras realidades e de, se quisermos “perder” tempo com isso, comparar aquilo que já conhecemos com o que será novo ou menos usual no nosso dia-a-dia no concelho.
Falo em perda de tempo porque, de facto, o exercício, apesar de muito simples e quase intuitivo, é para alguns algo que nem lhes chega a passar pela cabeça ou um desperdício quando é certo e sabido que se há coisa que acaba depressa são as férias ou as “escapadinhas” de fim de semana e, por isso, o que interessa mesmo é aproveitar o momento, sem grandes canseiras refletivas.
Há muito que defendo que se esse observar de realidades alheias é útil ao cidadão comum, seja para valorizar aquilo que tem quando comparado com outros, ou, pelo contrário, reclamar algo que podia ter e ainda não possui, muito mais o é no caso dos autarcas.
Se todos os representantes do poder autárquico o fazem, penso que não. Pelo menos, a minha experiência de duas décadas de acompanhamento dos diversos órgãos locais leva-me a essa conclusão e é uma pena porque temos sempre algo a aprender com os outros e não é vergonha para ninguém importar e adaptar bons exemplos ou corrigir coisas que estejam menos bem na nossa terra.
O caso do Festival do Galo em Serro Ventoso, um sucesso a nível regional e já com alguma projeção em termos nacionais, é um bom exemplo de uma inspiração que veio de fora mas que feitas as devidas adaptações, vingou e de ano para ano está cada vez maior e melhor. Embora menos consensual, o atual modelo de procissão de São Pedro por ocasião das festas concelhias, é outro exemplo de algo que não existia por cá mas que acabou por vingar e como estes há outros, embora pequem, ainda, por escassos.
Tal como realçava o presidente da Câmara aos microfones da Rádio Dom Fuas, ao viajarmos um pouco pelo país facilmente percebemos que em Porto de Mós o setor da hotelaria e da restauração está a levar mais a sério as regras de higiene e de segurança em vigor por causa da pandemia, que em outros concelhos onde o turismo tem maior peso e tradição. Estamos, então, perante uma comparação da qual saímos bem embora com a consciência de que há sempre coisas a melhorar e que nem todos cumprem na mesma medida.
Ainda no mesmo setor, e já numa perspetiva menos positiva, temos a aprender em termos do atendimento ao público. Não concordo com um amigo habituado a outras realidades que diz que na vila sede de concelho, de uma forma geral, o atendimento não passa de razoável, mas reconheço que é uma área que deve preocupar mais quem está à frente de cafés, pastelarias e restaurantes. No caso dos dois primeiros até deixo uma sugestão bem simples e meramente a título de exemplo: quando um cliente se aproximar do balcão ou se sentar a uma mesa parem lá de lavar a louça e atendam-no. A louça pode esperar, já os clientes, esses gostam de pensar que para quem está à frente de um balcão têm mais importância que copos e pratos…
Na última década, Porto de Mós alindou-se e continua a fazê-lo mas também aí podemos aprender com exemplos de fora. Vá para o norte, para o centro ou para o sul, encontro a água presente em tantos elementos que dão vida e beleza às respetivas terras mas, pelos vistos, só por cá é que há vandalismo ou que a água é um bem escasso. Não defendo que se resolva um erro com outro erro, ou o desfazer como capricho, como já aconteceu, mas mesmo assim faço votos para que a Câmara ou uma qualquer Junta pense na água como elemento que pode contribuir para alindar um recanto da nossa terra.
No caso das rotundas aguarda-se com expectativa aquilo que está a nascer na da Tremoceira mas temos outras onde podemos e devemos intervir. Também aí, espreitar o que é feito por esse país fora pode ser inspirador. Que venham, então, as boas inspirações!