Na última reunião de Câmara que aconteceu no dia 4 de junho, o executivo camarário deliberou por unanimidade a aprovação de uma comissão que irá analisar a forma como deve ser distribuído o dinheiro que a Câmara disponibilizava para as Festas de São Pedro e que este ano, devido à pandemia, não se realizam. Depois de alguma troca de ideias, a proposta do Partido Socialista (PS) acabou por ser aprovada, apesar de ter sofrido alguns pequenos ajustes, entre os quais, a alteração da designação do destino das verbas que passou de «clubes portomosenses», na proposta inicial, para «movimento associativo do concelho», na proposta final que foi aprovada, por ser mais abrangente.

Na altura, o presidente da Câmara, Jorge Vala, confessou ter sido com alguma estranheza que recebeu a proposta apresentada pelo PS. «Considero a proposta extemporânea, porque nós já tínhamos combinado aquilo que combinámos. Mas o PS entendeu que deveria fazer a proposta e está tudo bem», afirmou acrescentando que «desde o primeiro momento que disse que os 55 mil euros eram para gastar no movimento associativo do concelho». Por sua vez, a vereadora do PS, Anabela Martins, teve uma interpretação diferente dos factos e afirmou que foi o PS quem levantou a questão da possibilidade da redistribuição das verbas pelas associações. «Como nós demos essa ideia, achámos pertinente, até num sentido da partilha e na conjugação de esforços, avançarmos com essa proposta formal», justificou.

Anabela Martins atirou ainda que «se a proposta está simples demais é porque ainda não se começou a trabalhar [por ainda não haver comissão constituída]». Em resposta, Eduardo Amaral garante que «já se começou a trabalhar há muito» e que prova disso é o «levantamento e diagnóstico que está a decorrer nas associações» com o objetivo de saber quais são exatamente os seus problemas. «A proposta do PS é um bocadinho limitativa. O problema não é nestas 20 associações [referidas na proposta inicial] é nas 140», defendeu o vice-presidente. Na sua opinião, se a ideia é «dar este dinheiro às que estão nas tasquinhas, estavam muitas associações a trabalhar nas Festas e que não estavam nas tasquinhas», sublinhou. Do lado do PS, Rui Marto garantiu que a sua tomada de posição «foi sempre com as associações de participam no São Pedro, seja com tasquinhas ou sem».

À comissão agora aprovada, que será composta por um elemento de cada um dos grupos representados no executivo municipal, irá caber a tarefa de decidir a forma como se irão distribuir as verbas cujo destino seriam as Festas de São Pedro. No entanto Jorge Vala adverte: «Estou plenamente de acordo que tenha sido encontrado um modelo satisfatório para as associações, mas não um que sirva para substituir o que elas fariam havendo tascas. Não podemos pensar que vamos pedir as contas às associações para depois suprimir o valor que eles não fizeram, porque não conseguimos».