Todas as edições d’O Portomosense, desde a sua fundação, vão passar a estar disponíveis, em formato digital no catálogo do arquivo municipal. A oportunidade nasce de um protocolo, celebrado a 9 de junho, entre o Município de Porto de Mós e a Cincup, proprietária do jornal, que visa «a descrição dos conteúdos do jornal, a sua digitalização e a associação dessa digitalização à descrição, para que qualquer pessoa, comodamente em casa, por interesses diversos, por curiosidade ou porque pretende fazer investigação, possa pesquisar e aceder a toda a informação», explicou Fernanda Sousa, a responsável do arquivo, por ocasião da assinatura do protocolo.

A par d’O Portomosense, também O Juncalense (que foi publicado entre 1996 e 1998) e A Voz de Mira de Aire (fundado em 1956 e ainda a sair mensalmente) fazem parte desta parceria. Fernanda Sousa explicou que a plataforma contém já «alguns jornais locais, nomeadamente de finais do século XIX», e que o objetivo é «abranger o máximo de produções da imprensa local». A arquivista disse que é entendimento do Município que «a imprensa local é uma fonte privilegiada de informação» e que, a partir dela, é possível «caracterizar e documentar toda a atividade das comunidades, a nível cultural, associativo, desportivo e até mesmo industrial, por isso, faz todo o sentido tornar esta informação mais acessível», opinião partilhada pelos proprietários dos órgãos de comunicação social.

O vereador da Cultura e vice-presidente da Câmara de Porto de Mós, Eduardo Amaral, presente na cerimónia, reforçou a ideia de que «os jornais retratam toda uma vivência» e que são «a nossa grande biblioteca, que muitas vezes é desprezada», salientando que é «motivo de orgulho poder dar este passo com esta recuperação da memória e da história». O vice-presidente adiantou que haviam recebido, recentemente, informação acerca de um outro jornal da Mendiga e aproveitou a deixa para lançar o repto de que devemos «procurar recuperar o património, guardá-lo e preservá-lo» e desafiou os presentes a partilhar com o arquivo documentos que tenham e que possam contribuir para a reconstituição da história local, nomeadamente jornais das suas aldeias de que tenham conhecimento.

O presidente do Conselho de Administração da Cincup, Pedro Vazão, começou por agradecer o convite para que O Portomosense integre esta iniciativa e referiu que, em janeiro próximo, «o jornal fará 40 anos», assim, esta é também uma forma de «refletir esses 40 anos, mas principalmente o legado deixado pelo senhor João Matias», que fundou o jornal. Pedro Vazão adiantou ainda que, hoje, «o jornal é mais moderno, mais diversificado, mais virado para outros pontos» que a direção acha pertinentes; «tem uma equipa coesa, nova e com gente formada», facto que, diz, lhe agrada bastante. Por sua vez, Joaquim Faustino Ângelo, proprietário d’O Juncalense, e também antigo diretor d’O Portomosense, quis «render» a sua homenagem a João Matias, lembrando os tempos em que «passou bons momentos de aprendizagem».

Relativamente a O Juncalense, que tinha periodicidade mensal, adiantou que este surgiu «numa fase em que a freguesia do Juncal e a vila estavam de facto com uma belíssima dinâmica». Foi a sua vida pessoal e profissional que ditaram o final do jornal. «Tentei oferecer o jornal a imensa gente, mas ninguém o quis porque não era lucrativo, era uma carolice. Tenho muita pena que tivesse uma curta duração, mas foi o suficiente para que ficassem escritas algumas memórias», afirmou. Ainda antes de terminar a sua intervenção, fez uma menção a João Coelho da Silva, comendador do Juncal, e que, segundo Faustino Ângelo, foi quem, a seguir ao proprietário e fundador, «a pessoa que mais sofreu com o fim do jornal». Joaquim Faustino Ângelo fez ainda um elogio à Câmara e aos seus serviços de arquivo pelo trabalho realizado. O padre Luís Ferreira, responsável pel’A Voz de Mira de Aire, não pôde estar presente na assinatura do protocolo, que simbolicamente decorreu junto à Central das Artes.

Foto | Catarina Correia Martins