Duas mil luvas, 48 viseiras, 20 máscaras cirúrgicas FFP2, 200 máscaras cirúrgicas Tipo II e 10 litros de álcool gel foram entregues ao Centro Hospitalar de Leiria e ao Centro Hospitalar de Coimbra. Os 650 euros com que foram comprados os equipamentos são o resultado de uma parceria entre duas empreendedoras portomosenses: Adriana Lourenço, designer, que trabalha como freelancer e divulga os seus trabalhos na página de Facebook MyFish; e Rita Belo, responsável pela empresa MB Ceramics by Mutualshape, Lda.

No início da pandemia, quando a imagem do arco-íris, desenhada por crianças italianas, começou a tornar-se viral e a correr mundo, Adriana Lourenço não ficou de fora e fez também o seu. No entanto, em vez de um tosco desenho a lápis de cor fez uma ilustração estilizada que começou a usar em produtos, em que uma percentagem das vendas reverteria para a causa solidária. Por seu lado, Rita Belo via a sua empresa fechar por falta de encomendas: «Só fazemos exportação e de um momento para o outro ficámos sem nenhuma encomenda, tivemos mesmo de fechar as portas, a situação não estava fácil», lembra. Não baixou, no entanto, os braços e começou a procurar ideias que pudessem rentabilizar material que tinha parado na fábrica. Foi então que, através de uma amiga em comum, teve contacto com o arco-íris de Adriana Lourenço. «Íamos usá-lo nas canecas que era matéria-prima que tínhamos, com cores que tínhamos em stock», explica.

Quando chegaram à fala e partilharam ideias, perceberam que estavam em sintonia e que o projeto podia avançar. Hoje, do rol de oferta constam artigos tão variados como sacos de pano, um livro para colorir, suportes para colheres de pau, ímanes, canecas, porta-chaves, copos de café, t-shirts, bodies para bebés, e tudo o resto que a imaginação e o fundo de maneio possam permitir. Cada artigo tem um preço diferente e uma parte do dinheiro reverte, então, para a compra de equipamento de proteção.

Quando o projeto arrancou «isto estava um caos e não se arranjava material em lado nenhum», diz Adriana Lourenço, no entanto, com o avançar do tempo, ambas concordaram que ao comprar o material estavam a «ajudar outras empresas» e que teria um «sabor diferente» do que apenas fazer uma transferência monetária, explica Rita Belo. E assim fizeram. A primeira remessa já foi entregue e a empresária afirma que a receção nos hospitais foi «muito boa», mas ressalva que tem «a sensação» de que se chegassem «com metade dos bens», seriam recebidos da mesma forma. No currículo contam já com envios para Alemanha, Espanha, Suíça e Canadá, além das inúmeras encomendas em território nacional, que superaram «em muito» as expectativas.

A reviravolta no negócio

Rita Belo reconhece que este projeto veio trazer um novo fôlego à sua empresa. «Nós nem sequer vendíamos para o mercado nacional e este projeto abriu-nos portas que eu não tinha tido tempo para explorar», revela, acrescentando que tem «contactos de lojas, desde o Algarve até ao Porto», que querem comprar artigos produzidos pela empresa portomosense para colocar à venda nos seus estabelecimentos.

Adriana Loureço, como trabalha em casa, nunca parou de trabalhar, mas adianta que as encomendas têm aumentado consideravelmente nos últimos tempos. Além dos produtos com o arco-íris, diz ter notado «que as pessoas têm aderido muito mais» e atira uma possível justificação: «Talvez por quererem comprar produtos portugueses…», conclui.