Biblioteca com Vida, assim se chama o projeto que Bruno Gaspar, natural do Reguengo do Fetal, quer implementar um pouco por todo o país. Esta era uma ideia, entre «um monte» delas, que estava na “gaveta” há muito tempo, mas que esperava «uma oportunidade para ser concretizada». «Estas ideias foram sendo adiadas porque nos últimos anos tive uma vida de viajante, fora de Portugal e agora regressado, depois da pandemia, achei que era o momento de começar a pôr em prática», explica o também cronista e artista de viagens. Este projeto consiste numa «rede criada de norte a sul de Portugal» com «bibliotecas recicladas colocadas em locais estratégicos». Estas mini-bibliotecas são construídas com materiais que Bruno Gaspar vai recolhendo nas ruas: «Ando muito de bicicleta e é uma bicicleta robusta onde consigo transportar pedaços de madeira e chapas». A máxima, frisa o artista, é levar a «cultura para todos».

Para concretizar este projeto, Bruno Gaspar estabeleceu «algumas parcerias com entidades» como, por exemplo, a Rede Nacional Anti-Pobreza «que vai também participar nesta distribuição de bibliotecas». O «cariz social» é uma das componentes desta iniciativa, uma preocupação que tem sido tida noutros projetos do artista plástico. A ideia é «colocar estas bibliotecas em aldeias, em locais mais recônditos do país e dar oportunidade das pessoas se aproximarem destas caixas da cultura». O «interior das bibliotecas pode não ter só livros, poderá também ter CD, pode haver partilha de, quem sabe, ilustrações de outros artistas, pequenos desenhos, postais», explica Bruno Gaspar. O artista plástico vai, nesta primeira fase «ilustrar e pintar» estas mini-bibliotecas, mas no futuro poderá vir a «convidar outros artistas».

Muitos dos livros que vão encetar o projeto são do próprio Bruno Gaspar: «Só da minha coleção dá para colocar a rede a funcionar, no entanto, já tenho recolha de amigos que me têm dado livros, só ontem um amigo deu-me um saco com 20 livros». Depois, o objetivo é que as pessoas «ganhem carinho por estas bibliotecas» e elas próprias vão partilhando o que têm por casa e tirando o que tiverem interesse em ler. A primeira biblioteca será instalada precisamente no Reguengo do Fetal, na sua terra: «Será uma oferta minha com muito gosto». Depois há outros locais que «estão a ser definidos, por exemplo o bairro de Alvalade, em Lisboa». Estas caixas vão começar a ser instaladas em setembro, uma vez que agora existem «muitas instituições e pessoas de férias». No entanto, é um projeto para ser desenvolvido «paulatinamente mediante as condições que vão surgindo». «Há escolas também mais ou menos “apalavradas” mas temos de esperar pelo início do ano letivo. Há esse desafio de poder colocar algumas bibliotecas nas escolas e que o aluno depois se sinta parte integrante deste projeto», revela o artista plástico. O projeto ganhará mais força, acredita, a partir do momento em que consiga mais apadrinhamento que pode vir de várias entidades, públicas e privadas: «Juntas de Freguesia, escolas, associações recreativas, etc…». Bruno Gaspar já foi contactado por algumas empresas, com 200 ou 300 colaboradores, que mostraram interesse em «apadrinhar uma biblioteca destas para que os funcionários tivessem acesso e ganhassem este hábito de leitura», explicou. Porto de Mós também pode vir a ser um dos concelhos contemplados, diz Bruno Gaspar. «Gostava muito de ter num sítio pelo qual tenho um carinho especial que é a zona de Serro Ventoso, vamos ver o que o tempo dirá», antevê.