Depois da aprovação por unanimidade em reunião de Câmara, o Orçamento municipal e as Grandes Opções do Plano para 2022 foram aprovados, por maioria, pela Assembleia Municipal. Ao contrário do que aconteceu na Câmara, os eleitos do PS, optaram, desta vez, pela abstenção.

Na discussão dos dois pontos da ordem de trabalhos, vários elementos da bancada socialista tiveram intervenções críticas e céticas em relação à proposta apresentada pela maioria social-democrata resumidas numa declaração de voto entregue à presidente da AM. Assim, para os deputados do PS a proposta do executivo do PSD para 2022 «pode ser resumida a um manifesto de intenções que dificilmente serão cumpridas no ano a que se refere este orçamento». Tendo em conta que os orçamentos municipais em Porto de Mós, nos últimos anos, têm «uma execução média de cinco milhões de euros anuais» para os socialistas «não é de todo verosímil que a Câmara consiga executar os 10 milhões a que se propõe», considerando por isso que «este orçamento não passa de um manifesto de intenções que serve para mascarar a fraca taxa de execução do último mandato». Por outro lado, referem, «o atual orçamento não demonstra de forma clara quais são os investimentos prioritários nem a calendarização para os mesmo indiciando apenas uma intenção muito vaga».

Perante isto, os socialistas não têm dúvidas que no final de 2022 se confirmará que «este orçamento não é planeado e enferma de uma clara falta de estratégia para atração e fixação de pessoas e empresas».

Opinião, naturalmente, diferente, foi expressa pelo presidente da Câmara, Jorge Vala, aquando da apresentação do Orçamento. De acordo com o autarca eleito pelo PSD trata-se de «um documento muito importante porque define aquilo que é a estratégia do município para os próximos quatro anos» e não, apenas, aquilo que foi o compromisso assumido pela Câmara «com as Juntas de Freguesia».«Fizemo-lo com a consciência de que este tem de ser inevitavelmente o caminho, até porque vamos ter nos próximos anos reforços significativos de fundos comunitários e precisamos ter rubricas abertas e, sobretudo, continuar a fazer projetos», afirmou.

Jorge Vala não tem dúvidas de que «este orçamento é um grande caderno de encargos não apenas para 2022» mas que o compromete e à sua equipa, «com a ambição de o querer concretizar» porque, no seu entender, levando-o a cabo «ficaremos com um concelho habilitado para o futuro e que entronca com a estratégia [nacional] dos fundos comunitários e, por outro lado, com a sua expectativa de «alavancar este concelho» criando melhores condições de vida para quem aqui reside mas, também, para aqueles que nos visitam mostrando de uma forma organizada aquilo que de melhor temos».

Depois de enumerar as principais obras que quer ver concretizadas ou em curso em 2022, Jorge Vala destacou alguns números do orçamento. Dos cerca de 25 milhões de euros orçamentados, 3,5 milhões são para a ALE de Porto de Mós, um milhão vai para a Casa dos Calados e um outro está destinado à Ação Social Escolar. Para Saúde e Ação Social, 600 mil euros, e para Saneamento e Águas, 1486 mil euros. «Isto quer dizer que estes 7 572 mil euros correspondem a cerca de 51% das GOP», sublinhou. «A receita corrente corresponde a cerca de 18 800 mil euros dos quais apenas são consumidos em despesa corrente 78%, ou seja, os restantes 22% são transferidos para despesa de capital, perfazendo aqui uma despesa de capital [investimento] pouco acima dos 10 milhões de euros», acrescentou.