A Assembleia Municipal (AM) de Porto de Mós voltou a assinalar o Dia Internacional da Mulher com uma homenagem às mulheres do concelho ou que aqui prestam serviço. Na edição deste ano, realizada a 20 de março na Casa da Cultura, em Mira de Aire, as distinguidas foram as 53 mulheres, de diferentes profissões, que trabalham nas várias unidades (públicas) de saúde do concelho.

A abrir a sessão atuaram os Ballet Boys, do Conservatório Internacional de Ballet e Dança Annarela Sanchez, de Leiria, com uma dança tradicional da região do Cáucaso. Seguiram-se as intervenções da presidente da AM, do presidente da Câmara, da representante do projeto Jovem Autarca e das representantes de cada uma das três forças políticas. Houve, depois, poesia com Margarida Vieira. Já no palco, as homenageadas presentes receberam uma lembrança e uma rosa. Na reta final, a intervenção de três profissionais de Saúde. A cerimónia terminou com a jovem Carolina Pereira, a cantar Miraculosa, Rainha dos Céus, verdadeiro hino à paz entoado num dia em que o concelho acolheu cerca de 80 ucranianos em fuga da guerra.

O elogio à entrega ao outro

Apesar de já muito ter sido conseguido, a presidente da Assembleia Municipal (AM), Clarisse Louro, considera que «a igualdade de oportunidades [entre géneros] é uma tarefa ainda inacabada» e que «persistem desigualdades e discriminações estruturais, mas também e ainda preconceitos». Por isso, todos os anos, promove, em parceria com a Câmara, uma homenagem a um grupo específico de mulheres. Este ano, as escolhidas foram as que trabalham, no setor público, na área da Saúde, a quem agradeceu «pelo empenho, resiliência e competência com que prestaram os cuidados nestes anos de pandemia». «Quero atribuir-vos um louvor coletivo de reconhecimento pelo desempenho no processo de vacinação, fundamental na gestão da pandemia, e decisivo para o prestígio das vossas profissões. Apesar dos inúmeros problemas e adversidades são exemplo de profissionalismo, dedicação e altruísmo», disse, dirigindo-se às homenageadas.

Já o presidente da Câmara, Jorge Vala, disse que AM e a Câmara reconhecem o mérito das homenageadas mas não lhes conseguem dar «o tempo para serem mulheres e mães, o tempo para a família e até o tempo para parar». Por isso, afirmou: «Se vos conseguíssemos dar um pouco do tempo que vos falta, se pudéssemos ser parte para encontrarem uma melhor qualidade de vida, certamente o lado mais importante da nossa missão ficaria cumprido, mas, infelizmente, apenas conseguimos reconhecer, agradecer e respeitar». Mesmo assim, o edil deixou a sua homenagem «à mulher simples que existe em cada profissional de Saúde que optou por ter uma vida diferente mas que a eleva a uma rara singularidade; às mulheres de missão com sorriso, às mulheres de esperança, de servir e sem tempo; às mulheres iguais mas tão diferentes, à mulher médica, enfermeira, auxiliar, administrativa, à mulher de família, neta, mãe e filha ou simplesmente à mulher profissional de Saúde, mulher de cuidados, a cuidar de quem precisa».

Exemplo de vida e de serviço à comunidade

Interveio na sessão, Érica Silva, eleita Jovem Autarca que recordou que «cerca de 70% dos trabalhadores da Saúde no mundo são mulheres, mas infelizmente só 25% chegam a desempenhar funções de liderança», facto que, curiosamente, voltaria a ser sublinhado pela representante da bancada do PSD. A jovem de apenas 14 anos, aluna do IEJ, realçou ainda que «na área da Saúde há uma grande busca e interesse na formação e especialização, onde as mesmas [mulheres] têm ocupado espaço significativo».

Sandra de Sousa, do Chega, após lembrar que «as mulheres são a principal força de trabalho da Saúde», disse: «Vocês são protagonistas neste momento da História. Se existem pessoas que merecem as melhores e maiores homenagens, são vocês, profissionais de saúde incansáveis. Mais do que excelentes profissionais, são seres humanos incríveis que passam o tempo a lutar para salvar vidas, para cuidar e melhorar as condições de inúmeras pessoas em dificuldade».

Cristina Rosa, do PS, evocou várias qualidades das mulheres, às quais se juntam no caso das profissionais da Saúde, «a humanização, o cuidar, o cuidar de quem cuida», algo muito evidenciado durante a pandemia em que estas revelaram «uma atitude de entrega e determinação, muitas vezes abdicando dos próprios interesses e da presença da família, arriscando o contágio, ultrapassando o cansaço». Destacou, ainda, o papel vital, de «comprometimento, responsabilidade e organização», destas mulheres no seio das suas unidades.

Já Dulce Custódio, do PSD, disse ser dia de lhes «agradecer pelo exemplo de vida e de serviço». «Neste setor, a mulher tem sido negligenciada e desprezada de forma vergonhosa», sublinhou, acrescentando que «num mundo cada vez mais exigente e cruel, onde até a sua integridade física é posta em causa, debatem-se por direitos tão pertinentes como o reconhecimento da profissão de risco e de desgaste rápido, por salários mais justos e adequados à sua inegável responsabilidade».

Profissionais agradecem

Às palavras de elogio e de reconhecimento, as mulheres profissionais da área da Saúde responderam com um sentido “Obrigada”, aproveitando para expressar a satisfação por serem o que são enquanto mulheres e enquanto profissionais.

Carla Mascarenhas, em representação das homenageadas da Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados realçou o facto de cada uma ter escolhido a área da Saúde «não por ser mulher mas pela dimensão universal desta, onde não há cor, religiões, políticas» mas, antes, «profissionalismo, competência, afeto e compreensão perante a dor, o sofrimento e o isolamento».

Para esta, a recompensa passa muitas vezes pelo «sorriso de um doente que esteve mal, que nos olha nos olhos e diz baixinho “Obrigado”. Não há dinheiro, discurso ou cartazes capazes de falar mais alto que este “Obrigado”», frisou.

Mónica Oliveira, da Unidade de Saúde Familiar Novos Horizontes, lembrou que à missão de servir, e que implica por si só «muita dedicação, abnegação», as mulheres que trabalham nessa área juntam ainda o facto de serem «esposas, mães, filhas, irmãs, netas e amigas». «É um desafio constante. Por vezes, podíamos desejar uma vida menos comprometida, mais egocentrista. No serviço ao outro, dentro das nossas especificidades, não há lugar para isso e, por isso, nem todos se encaixam na missão do profissional de Saúde», realçou, referindo ainda que «o papel da mulher ao longo de muitas gerações incorpora naturalmente o “cuidar” e ser profissional de Saúde e mulher é elevar esse cuidado pelo outro».

Por último, Marta Silva, da Unidade de Cuidados na Comunidade D. Fuas Roupinho, aproveitou para em nome das profissionais de Saúde agradecer a todos aqueles que dia após dia» se privam de si «mulheres/mães/esposas/amigas» para que estas estejam «a servir o outro». Realçou, ainda, que, muitas vezes, atrás de uma grande mulher está um grande homem ou uma grande família de suporte».

Foto | Isidro Bento