Faltam auxiliares, e não só, no Centro Escolar de Porto de Mós. A queixa foi trazida pela deputada municipal do Chega, Abna Pato, através de «um e-mail que lhe tinha chegado uma hora antes» da última Assembleia Municipal (AM) de Porto de Mós. «Acho que isto é algo que já foi falado e é importante ser refletido», afirmou, citando depois o e-mail vindo da parte da Associação de Pais. «Vimos por este meio mostrar o nosso desagrado por determinadas situações que consideramos que possam estar a comprometer o normal funcionamento da escola, a segurança e o acompanhamento dos nossos filhos», começou por ler.
Abna Pato passou depois a enumerar alguns dos problemas apontados pelos pais: «Número de auxiliares insuficiente no apoio à hora de almoço e na hora de recreio, formação física de algumas auxiliares, falta de baloiços, escorregas e espaços onde as crianças possam brincar e irem mais calmos para dentro da sala». E isto, adverte a deputada num aparte, «foi explanado no início do ano letivo», seguindo depois a leitura do e-mail.
«Nos dias de inverno, que é impossível estarem na rua, as crianças são obrigadas a ficarem num espaço bastante reduzido durante os intervalos, o que gera bastante ruído dentro da escola, frustração por não terem espaço para brincar, vão muito mais irritados para a sala de aula, o que prejudica o rendimento escolar», expôs Abna Pato. A Associação de Pais referiu ainda que os «serviços de Atividades de Tempos Livres (ATL) têm falta de condições no centro da Associação Desportiva Portomosense, os alunos que usufruem deste serviço não têm parque para poderem brincar, no verão não têm espaço com sombra para poderem brincar na rua, vêm a pé à hora de almoço na hora de maior calor, o ATL do pré-escolar, no verão, não tem atividades didáticas, não há materiais para poderem fazer atividades plásticas, inclusive são os auxiliares que fazem os desenhos para os próprios alunos pintarem». «Agora sou eu que vou retirar as aspas e pergunto: não existe a possibilidade de comprar uma impressora?», questionou a deputada do Chega.
«A proibição de piscina levou a que se tivesse menos uma atividade que muitos alunos apreciam e que era um momento divertido e refrescante quando estes estão expostos a ecrãs durante muito tempo por causa de vários filmes que veem ao longo do dia, e isso não é saudável, todos sabemos», leu. A terminar, a Associação de Pais chama a atenção para a indisponibilidade, por falta de auxiliares, de conseguir «sair com os alunos, por exemplo até ao Parque Verde, próximo da escola».
Município “ultrapassa rácio” do Ministério da Educação
Em resposta, o presidente da Câmara de Porto de Mós, Jorge Vala, começou por referir que o Município «cumpre e ultrapassa em dobro o rácio de auxiliares» exigido pelo Ministério da Educação. «Recebemos do Ministério metade para os auxiliares que pagamos», reforçou. Este «dobro não vem de agora»: «Já vem de trás, antes de eu ser presidente. Os meus antecessores receberam a Educação em 2009 e a partir daí começaram a contratar pessoas para dar resposta nas escolas primárias». No entanto, apesar deste rácio positivo, a verdade é que atualmente a resposta é insuficiente. «Estamos neste momento com 22 baixas-médicas. Relativamente a semanas anteriores, temos tido problemas agravados e solicitámos, inclusive, às IPSS, para nos ajudarem no fornecimento de refeições», revelou Jorge Vala.
O presidente da Câmara disse ainda que «todos os dias» passa no Centro Escolar de Porto de Mós e vê «muitas crianças a brincar, mas nunca» vê auxiliares no recreio. «Não sei bem porquê, mas nunca vi. E sou eu que vejo, ninguém me dá recados ou manda e-mails. Se calhar, valia a pena pensar, quem mandou esse e-mail, que as crianças andam sozinhas de forma sistemática nos recreios e mereciam ter um acompanhamento», frisa.
Quanto aos espaços da AD Portomosense, o autarca lembra que estes são «da responsabilidade da AD Portomosense» e não da Câmara. Já os espaços de ATL no Centro Escolar «são os espaços definidos pelo Ministério da Educação». «Não é nenhuma auxiliar que nos vem dizer que aquele espaço é pequeno. Eu admito que seja, e aceito que seja, no entanto, todas as obras que são construídas são aprovadas pelos Ministérios», salienta.
Também não foi a Câmara, sublinhou Jorge Vala, que excluiu a natação do pré-escolar. «O primeiro ciclo tem piscina, o pré-escolar não tem porque as educadoras optaram por não ter. É uma opção legítima, têm outras atividades. Não podem é dizer que “a Câmara acabou com a piscina”. Foi uma opção das educadoras que eu respeito muito», explicou.
Indo ao encontro da “falta de baloiços” apontada, Jorge Vala informou que há «efetivamente um baloiço de cordas danificado», devido ao vento. «Fizemos uma reclamação à empresa que nos vendeu o equipamento que, sendo uma empresa de mobiliário urbano não tem tido descanso, mas comprometeu-se a vir reparar na próxima semana», disse Jorge Vala aquando da AM. «Os baloiços são poucos, não pode haver um por criança», reforça ainda.
Em jeito de conclusão, Jorge Vala deixa uma crítica generalizada à forma como os pais querem «as crianças emparedadas de forma sistemática e permanente sem apanharem sol, vento, frio e chuva». «As crianças fechadas, além de ser muito difícil ou impossível, é até pedagogicamente incorreto. Eu não sou professor, mas tenho ouvido muito, quer dos professores, quer dos pediatras, que muitos pais estão a exigir às escolas aquilo que elas não podem nem devem dar, por razões de saúde e pedagógicas», frisou.
Foto | Jéssica Moás de Sá




