A nova missão humanitária à Guiné-Bissau coordenada pela Associação Serviço e Socorro Voluntário de São Jorge (ASSVSJ), com o apoio do Grupo Ação Social (GAP), já tem um nome e uma data prevista. Se tudo correr como está planeado a missão designada Trilhos de uma África Negra – Guiné 2020 terá o seu início em meados do primeiro semestre de 2020. Por razões que se prendem com a segurança dos voluntários que a irão integrar não é possível divulgar, em concreto, a data em que a caravana irá sair de Portugal, e aquela em que conta chegar à Guiné-Bissau percorrrendo um total de 5000 quilómetros.

Para esta que será a quinta incursão por terras guineenses, a organização definiu quatro objetivos principais: levar o maior número de viaturas para oferecer a Organizações Não Governamentais (ONG); prestar assistência às populações quer na área do ensino, quer na área da saúde com material escolar e hospitalar e levar leite em pó; apoiar ao desenvolvimento da agricultura do país ajudando à criação de novos pólos de produção agrícola e desenvolvimento dos existentes e, por último, sensibilizar a comunidade internacional para a realidade de um dos países mais pobres do mundo.

Leite em pó é dos bens mais necessários

Em termos concretos, além de voluntários, a ASSVSJ procura reunir o maior número possível de viaturas para oferecer a ONG locais, de preferência carrinhas de quatro, sete e nove lugares, viaturas 4×4 e carros ligeiros de passageiros, qualquer uma delas com mecânica simples e pouca eletrónica de modo a que, quando surja qualquer avaria possam ser reparadas no local. A associação apela também à oferta de material como seringas, agulhas, gaze, pensos, adesivos, algodão, sondas material ortopédico e cirúrgico, assim como cadernos, lápis, esferográficas, borrachas, réguas, esquadros, resmas de papel, afiadeiras e livros, e sementes agrícolas, nomeadamente de alface, feijão, grão, tomate, cenoura e pimento. O grupo de voluntários irá levar consigo 14 computadores portáteis e espera ainda que a generosidade alheia ponha no seu caminho impressoras e outro material informático.

Uma das ofertas mais desejadas é o leite em pó, um bem escasso e precioso naquele país onde quase tudo falta, mas que, de acordo com Nuno Rebocho, o presidente da ASSVSJ, permite ajudar a salvar vidas, como ele próprio o pôde constatar no terreno em missões anteriores, daí que entre todos os bens fosse aquele em que insistiu mais durante a sessão pública em que apresentou a missão deste ano.

Foto: Isidro Bento

A identificação destas e outras necessidades foi feita pelo GAS, «um grupo de pessoas e entidades independentes, que se juntam e trabalham para sensibilizar outros a tornarem-se solidários e contributivos, desenvolvendo ações de apoio social e humanitário junto de quem mais precisa» em estreita parceria com a ASSVSJ. É também responsável pela recolha de fundos e organização de eventos de caráter social para benefícios de causas nacionais ou no estrangeiro como é agora o caso.

Durante a sessão em que a coach Ana Antunes falou sobre inteligência emocional, e que foi uma das várias iniciativas com o duplo propósito de envolver o público em torno de temas e ações importantes, e de recolher fundos para esta missão, Nuno Rebocho frisou o facto de que todas as despesas serão asseguradas pelos próprios participantes, desde a aquisição de viaturas, combustíveis, vistos, alimentação, estada e passagens de regresso. Assim, tudo o que levarem na viagem ficará na Guiné-Bissau, regressando a Portugal, por via aérea, apenas com a roupa e os poucos pertences pessoais que tiverem levado nesta missão, mas com a satisfação imensa de terem «feito ou ajudado a fazer a diferença junto de quem nada tem mas que a todos brinda com um sorriso generoso e gratidão».