Associações empresariais dizem que linhas de crédito estão a chegar a poucas empresas da região de Leiria

10 Março 2026

O Portomosense

Várias associações empresariais e um centro tecnológico alertaram que as linhas de crédito criadas para apoiar empresas afetadas pelo mau tempo estão a chegar a um «número muito limitado» de casos e que persistem «atrasos na atuação das seguradoras», sobretudo nas peritagens presenciais e nos adiantamentos dos sinistros.

Numa nota de imprensa, os subscritores afirmam que «as linhas de crédito criadas para apoiar as empresas afetadas estão a chegar a um número muito limitado de empresas» e que, em muitos processos, os pedidos continuam a ser tratados pelos bancos como operações de crédito convencionais, com «exigências adicionais de garantias, incluindo hipotecas». Para as entidades, «esta abordagem contraria o objetivo das medidas de apoio excecional» e cria obstáculos num momento em que as empresas precisam de «respostas rápidas e eficazes», salientando que são «ainda poucas as empresas que, efetivamente, receberam os montantes solicitados».

A posição surge quase seis semanas depois de a depressão Kristin ter atingido gravemente a região de Leiria e na sequência de uma reunião para fazer um ponto de situação das medidas anunciadas e identificar os principais constrangimentos. No encontro participaram a Associação Empresarial da Região de Leiria/Câmara de Comércio e Indústria, a Associação de Comércio, Indústria, Serviços e Turismo da Região de Leiria, a Associação Empresarial do Concelho de Pombal e a Associação dos Industriais de Construção e Obras Públicas de Leiria e Ourém, além de associações setoriais da metalurgia e electromecânica, cerâmica e cristalaria, plásticos e moldes. Esteve também presente o Centro Tecnológico da Indústria de Moldes, Ferramentas Especiais e Plásticos.

No que toca aos seguros, as entidades apontam «atrasos na atuação das seguradoras», quer na realização de peritagens, quer na disponibilização de adiantamentos. Esses adiantamentos, defendem, «são fundamentais para permitir às empresas iniciar rapidamente os trabalhos de reparação e recuperação das suas instalações e equipamentos».

As associações e o centro tecnológico referem ainda que um aviso no âmbito do Instrumento Financeiro para a Inovação e Competitividade «apresenta limitações que poderão impedir o acesso de muitas empresas afetadas aos apoios previstos». Por isso, defendem o alargamento dos códigos de atividade económica elegíveis, a possibilidade de aceitação de autodeclaração de danos validada por contabilista certificado ou revisor oficial de contas, o aumento do limite das obras de reconstrução para 50% do investimento elegível e a eliminação de critérios relacionados com exportações e criação líquida de postos de trabalho.

No documento, os subscritores sublinham que «o momento exige rapidez na execução das medidas, pragmatismo na sua aplicação e capacidade de adaptação à realidade das empresas», alertando que os instrumentos só serão «eficazes se conseguirem responder às necessidades concretas de quem está no terreno a reconstruir instalações, recuperar equipamentos e retomar a atividade económica». Defendem ainda que é fundamental trabalhar em articulação com a Estrutura de Missão Recuperação da Região Centro do País, com as autarquias e com o sistema científico e tecnológico, mas consideram que «essa visão de futuro exige que os problemas mais urgentes sejam resolvidos com rapidez».

Foto | Rafael Duque

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