Pai de Fim de Semana é o nome de uma página de facebook onde podemos conhecer as peripécias vividas por um pai que passa o fim de semana sozinho com os dois filhos, a Emília e o Amadeu. O autor é riomaiorense e vive atualmente nas Eiras da Lagoa, às portas da vila de Porto de Mós.

Samuel Martins, de 39 anos, explica a O Portomosense que tudo «começou por ser uma brincadeira». Também autor de uma página de poesia, começou a partilhar algumas das suas aventuras e, tendo em conta a boa recetividade por parte do público, criou então a página Pai de Fim de Semana. A sua esposa, mãe das crianças, tem folga apenas à terça feira e trabalha durante todo o fim de semana, o que faz com que, ao sábado e ao domingo, fiquem a cargo de Samuel todas as tarefas que dizem respeito aos filhos.

Numa passagem rápida pela página percebemos a variedade de vivências partilhadas. «É uma aventura estar sozinho com eles», diz e enumera situações específicas: «Quando a mais velha quer ajudar não tendo a destreza suficiente para isso, mas treina e esforça-se; o seu desfralde e as trocas de fralda do mais novo; são aventuras engraçadas, então a parte de sair com os dois, de vez em quando há uns acidentes e umas peripécias muito engraçadas», conta. O objetivo da página é «tentar colocar um bocadinho de humor nas situações, como quando uma pessoa está no limite de tempo para algum compromisso e a mais velha faz xixi pelas pernas abaixo e o mais novo começa a chorar; ou então estar a alimentar o mais novo e a mais velha começar a pedir atenção e a querer que eu também lhe dê comida à boca…».

A forma de Samuel lidar com tudo isto reflete, na sua opinião, a maneira como vê a parentalidade. «Se pudesse estaria ainda mais tempo com as crianças, nem me importaria nada de ser pai a tempo inteiro», afirma. Foi olhando a vida desta perspetiva que, aquando do nascimento dos filhos, decidiu usufruir de (quase) todo o tempo a que tinha direito. Quando nasceu a Emília, ficou em casa nos 10 dias obrigatórios e nos 10 seguintes, facultativos. Já no caso de Amadeu, e depois da mudança da lei, além dos 15 dias obrigatórios, gozou também os 10 facultativos. «Não usufruí do mês de licença extra por uma questão de profissão e também de colocação das crianças na creche», explica. «A escolha de usufruir do maior tempo possível tem a ver com o facto de serem ambos progenitores, não acho que os filhos devam ser criados só com a mãe, com o pai a trabalhar até tarde e, por opção ou imposição, pouco ver os filhos», tendo um papel apenas «na brincadeira e não também nas partes de correção e educação», justifica. A sua entidade patronal à data «não reagiu muito bem» à escolha de Samuel, facto que se notou nas várias chamadas telefónicas recebidas por dia «para corrigir ou prestar alguma informação à distância», tendo havido mesmo situações em que teve de se «deslocar ao local de trabalho para saber o que se passava».

Engenheiro de Produção Animal, considera que o facto de trabalhar numa suinicultura, «que é um mundo muito machista», contribuiu para essa fraca aceitação, afirmando que no ramo em que trabalha, a maior parte das pessoas acha que a mulher deve ficar, nesse período, em casa a cuidar dos bebés, sobretudo por causa da amamentação, e que «os homens estão só para fazer figura de corpo presente».

Para Samuel «as vantagens de viver isto a três [pai, mãe e filho]», sobretudo logo após o nascimento do bebé, são inúmeras e começam «logo por questões tão simples como conseguir dormir», exemplificando com «a mãe poder dormir entre amamentações» enquanto o pai embala o bebé «ou lhe dá aqueles toques nas costas para arrotar». «É uma questão de partilha, acima de tudo», conclui.

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