Raquel Carreira de Almeida conseguiu a medalha de bronze, na sua categoria, no Campeonato Europeu de Jiu Jitsu (European IBJJF Jiu-Jitsu Championship 2022), que se disputou em Roma, entre os dias 14 e 20 de fevereiro. A jovem de 26 anos, natural e residente na Moitalina, na freguesia de Pedreiras, competiu pela primeira vez ao nível europeu, mas já em dezembro se havia sagrado campeã nacional. «É lógico que, quando vamos competir, queremos chegar ao ouro, mas dado o nível do campeonato e sendo o meu primeiro europeu, também fiquei bastante contente», conta ao nosso jornal.

Por ser uma modalidade com menos destaque, Raquel Carreira de Almeida explica que não há tantos patrocínios e os atletas assumem as despesas. «Alguns dos campeonatos nacionais oferecem as inscrições, mas qualquer atleta pode inscrever-se e propor-se ao campeonato, que foi o meu caso. Neste caso, somos nós que assumimos os custos. Apesar de sermos atletas portugueses e de estarmos a representar o nosso país, a Federação não financia parte nenhuma e, por isso, os atletas vão por sua conta», reforça. A atleta considera que esta situação se torna «um bocado ingrata» já que, por exemplo neste europeu, «de Portugal, houve bastantes atletas a participar e muito medalhados. Acabam por estar a representar o país, mas sempre do seu bolso», refere, acrescentando que «se, em Roma, houve tantos portugueses e com ótimos resultados, isso quer dizer que a modalidade está a crescer cá e a ganhar outra dimensão». Na sua opinião, esta falta de destaque «tem muito a ver com só ligarmos ao futebol»: «Ainda este fim de semana houve outros campeonatos de muay thai e de judo, e também houve portugueses a participar e ninguém fala deles. Os do futebol têm mérito, é claro que sim, mas depois há muitas outras modalidades, que também têm atletas, que acabam por trabalhar por amor à modalidade, porque já sabem que ao nível de apoios e financiamentos é muito difícil», salienta. «Eu gostava de disputar o mundial, mas é na Califórnia e implica pagar viagens, estadias e tudo isso condiciona o facto de os atletas irem ou não porque nem toda a gente tem possibilidade de o fazer», revela.

Engenharia informática “paga” jiu jitsu

A treinar, de segunda a sexta, há cerca de três anos na associação Red House, na Nazaré, conta que entrou na modalidade porque foi desafiada pelo seu atual professor: «Eu já o conhecia, na altura praticava crossfit, e ele desafiou-me a experimentar jiu jitsu. Acabei por gostar da modalidade a dedicar-me só a ela», avança. No entanto, e apesar de sempre ter estado ligada ao desporto, profissionalmente, é engenheira informática de formação e trabalha numa empresa, «na parte de desenvolvimento de software». «Cada vez mais tenho a certeza que escolhi a área certa», atira, explicando que «quando escolhemos uma profissão, tem que ser algo que nos dê garantias no dia-a-dia», quer em termos de oportunidades de emprego, quer também ao nível do salário. «Eu sabia que, escolhendo esta área, podia não estar diretamente relacionada com o desporto a nível profissional, mas em todo o meu tempo livre podia usufruir de coisas de que gosto e com outra capacidade», salienta, referindo que só pôde participar no campeonato europeu por estar bem profissionalmente já que, não tendo patrocínios, foi da sua carteira que saiu o dinheiro para viagens, estadia, alimentação e todas as outras despesas inerentes à sua participação.