Rita Caetano, natural do Juncal, conquistou, no passado fim de semana, o 3.º lugar na categoria Elite no Campeonato da Europa 24 horas BTT WEMBO, que decorreu em Penafiel. A atleta de 22 anos, que representa a equipa Vasconha BTT Vouzela, foi a única do concelho a participar, ficou a apenas três voltas da primeira classificada na sua categoria e foi a melhor mulher portuguesa em prova. Esta competição funciona em circuitos de 15 quilómetros, e durante 24 horas, os atletas devem fazer o maior número de voltas que conseguirem. «Cabe a cada atleta decidir e gerir quanto é que consegue pedalar neste espaço de tempo, ganha quem conseguir dar mais voltas», explica Rita Caetano. A prova pode ser feita a solo, em duplas, triplas e quádruplas.

A juncalense, que competiu a solo, faz um balanço positivo da sua prestação, adiantando que «as primeiras sete horas de prova foram feitas debaixo de chuva, o percurso ficou com muita lama». Rita Caetano pedalou desde as 11 horas de sábado até às 2 da manhã de domingo, parou para dormir e retomou às 6 da madrugada, não voltando a parar até ao final da prova, às 11 horas. A atleta do Vasconha BTT Vouzela fez um total de 20 horas a pedalar, tendo percorrido 223 quilómetros com 6 750 metros de subida acumulada. Quando parou, Rita Caetano estava em segundo lugar e está convicta de que «se não tivesse parado, provavelmente teria conseguido uma classificação melhor», no entanto decidiu que «por razões de segurança» essa era a melhor opção, já que o circuito estava cheio de lama e, como era de noite, corria o risco de cair e se lesionar.

A prova, realizada pela primeira vez em Portugal, foi organizada pela associação Brain Sports Club/Iron Brain, com o apoio da Câmara Municipal de Penafiel. Em competição estiveram cerca de duas centenas de atletas, provenientes de 15 países.

A culpa foi do passeio das festas da Tremoceira

Praticante de BTT desde 2011, apenas este ano se federou, pela equipa que defende, Vasconha BTT Vouzela. «Comecei em setembro de 2011 [na altura com 14 anos] porque me propus, com umas amigas, a ir ao passeio da Tremoceira em BTT, das festas, começámos a treinar uns tempos antes. Esse passeio acabou por ser o marco de quando comecei a praticar mais regularmente», conta a atleta. Depois disso, formou um grupo «só de mulheres», as Timosas, que se juntavam «regularmente para pedalar»: «Estive a pedalar com elas mais ou menos três anos e depois comecei a pedalar com o meu pai e com os amigos dele, e comecei a evoluir porque tinha de treinar mais para os acompanhar», explicou Rita Caetano.

Em 2015, dedicou-se ao triatlo, modalidade que praticou durante três anos, tendo também jogado voleibol durante algum tempo. Foi no último ano do ensino superior, em 2018, que começou a dedicar-se mais a sério ao BTT e a participar em algumas provas, tendo-se federado, então, este ano.

Agora que trabalha, consegue «orientar melhor a sua rotina», trabalha das 9 às 18 horas numa agência de viagens, em Leiria, e tem «a outra metade do dia para treinar»: «Divido o meu dia em duas partes, na primeira estou a trabalhar e na segunda, chego a casa, como qualquer coisa, pego na bicicleta e treino entre uma a duas horas. De vez em quando, vou de bicicleta para o trabalho e regresso, acabo por evitar meia hora de caminho para cada lado e ganhá-la em treino», explica. Os seus locais de treino variam, mas na maior parte das vezes treina «aqui na zona, à volta de casa». Quando tem «oportunidade» as Serras de Aire e Candeeiros são um dos seus «sítios preferidos para treinar».

A paixão pelo BTT explica-a desta forma: «As bicicletas sempre estiveram presentes ao longo da minha infância e adolescência [o pai era praticante de BTT], e como vivi sempre muito na natureza, acabei por encontrar na bicicleta uma forma incrível de desfrutar dela. Quando desenvolvi o desporto, na minha adolescência, encontrei no BTT a forma de me desafiar, de competir e de continuar a desfrutar da natureza. E isso, no fundo, junta tudo numa coisa que me apaixona e me preenche muito».

Conhecer o mundo, de bicicleta

Quanto a objetivos, é perentória: «Desafiar-me a mim própria e ser melhor do que era ontem». «Não gosto de pôr objetivos em provas, porque cada prova é diferente e há muitos fatores que podem influenciar o resultado. Mas é claro que quero chegar ao topo das atletas nacionais, ninguém vai para a competição para andar lá a passear», afirma, convicta.

Em termos de competições, na sua mira está o Campeonato da Europa de XCM (Cross Country Marathon), que vai realizar-se no próximo ano, e «quem sabe, daqui a uns anos, participar no Campeonato do Mundo», que considera serem «provas incríveis e experiências de uma vida». Além destas, gostava também de poder fazer algumas por etapas, «que têm um ambiente excelente entre os atletas» e que permitem «viajar pelo mundo», há-as «na Nova Zelândia, na África do Sul, no Brasil»… «E por mim ia a todas elas», diz, entre risos.