As últimas iniciativas promovidas pelo Município para o feriado municipal, dia 29, terminaram no Castelo de Porto de Mós. Primeiro com um espetáculo do Grupo Aire, num final de dia que em nada fazia lembrar uma tarde de verão e depois com o lançamento do fogo de artifício. O concerto, no âmbito do projeto Baile dos Pastorinhos, contou com a presença de bailadores dos vários ranchos folclóricos do concelho que, ao som do Grupo Aire, vestidos de forma casual, dançaram as músicas tradicionais que aí foram sendo tocadas. Num espetáculo, a que nem o vento quis ficar de fora, fazendo-se ouvir nos microfones dos músicos, Marisa Barroso, a responsável pela ações de formação do projeto, explicou a razão da «ausência do traje»: «Este projeto tem como objetivo trazer o baile à comunidade, e, portanto, despir um pouco aquilo que as saias e as roupas escondem que são os passos, as pernas e o corpo que faz a dança».

No espetáculo foram apresentadas 12 das 16 músicas que irão fazer parte do CD, ao que tudo indica, será apresentado a 19 de setembro. O alinhamento começou com Passe Catre (Sobrado) e entre cada atuação, Marisa Barroso dava uma breve explicação sobre a história por de trás de cada uma das músicas. Seguiu-se o Vá de Roda (Pedreiras), o Loureiro (Mira de Aire), Vinhedos, O Fadinho (Mira de Aire), Oliveira (Cabeça Veada), Reinadio, Passe Catre (Cabeça Veada), Pirulito, Choutice (Arrimal), Loureiro (Arrimal) e Verde Gaio (Pedreiras).

Ainda antes de se dar início ao concerto, Ana Rita Leitão, presidente da Associação Folclórica da Região de Leiria – Alta Estremadura (AFRLAE), a entidade promotora do Baile dos Pastorinhos, fez questão de enaltecer as características do Grupo Aire e o seu papel no projeto. «É para nós uma grande alegria levar este Aire em concerto. A fusão destes músicos, que têm uma formação não só tradicional como erudita e também algo de música celta, trouxe novas sonoridades ao cancioneiro do Maciço Calcário Estremenho das Serras de Aire e Candeeiros», e cujas danças foram reconhecidas com o prémio Autarquia do Ano 2020 na categoria Cultura e Património.

Presente também no espetáculo esteve o presidente da Câmara de Porto de Mós, Jorge Vala, que começou por reconhecer o «importantíssimo trabalho» que os ranchos folclóricos têm tido nos últimos anos, nomeadamente na «recolha etnográfica, das danças e da sonoridade das músicas» algo que, garante, «enobrece e enriquece muito» a cultura existente no concelho. «Porto de Mós é um concelho eclético onde a cultura fervilha e onde a cultura popular está bem interiorizada na população», referiu, defendendo que só se consegue «afirmar o presente se tivermos o nosso passado bem esclarecido» e, com isso, realçou a necessidade de se valorizar a memória coletiva.