A Associação Folclórica da Região de Leiria – Alta Estremadura (AFRLAE) em conjunto com o Politécnico de Leiria e o grupo Aire acaba de apresentar um novo projeto que, até outubro, promete levar dança e música tradicional da região a «escolas de Porto de Mós, Batalha, Leiria, Pombal e também a associações, festas e espaços culturais». Chama-se Baile dos Pastorinhos, foi apresentado no passado dia 9 de janeiro, e segundo explicou a presidente da AFRLAE, Ana Rita Leitão, trata-se de um «projeto de salvaguarda da dança tradicional e popular, vocacionado para o público infanto-juvenil em idade pré-escolar e escolar e tem uma linha forte na capacitação dos nossos agentes educativos, nomeadamente na formação creditada para professores e também para folcloristas».

Ana Rita Leitão acredita que para a associação de que é presidente e que representa 50 ranchos de Pombal a Peniche e da Nazaré a Ourém, Baile dos Pastorinhos significa «uma semente de futuro». A programação deste projeto que foi um dos quatro contemplados pelo programa de apoio municipal da Rede Cultura 2027, que candidata Leiria a Capital Europeia da Cultura 2027, chegará a cinco municípios do território da candidatura. Durante os próximos meses, até outubro, estão previstas «formações, oficinas, bailes em comunidade, tertúlias e até uma convenção» na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS) de Leiria. «A formação é um impulso para melhoria dos nossos desempenhos e dos nossos grupos. O espaço escola é essencial para a sustentabilidade do trabalho que temos vindo a desenvolver, quer nos grupos, quer nas associaçoes regionais», adianta.

Ainda na sessão de apresentação, Adélio Amaro, antigo presidente da AFRLAE e atual presidente do Centro do Património da Alta Estremadura admitiu que, apesar de existirem grupos cuja criação remete para os anos 50 e 60, a verdade é que hoje em dia, baseiam-se «sempre nas mesmas fontes» porque, justifica, são aqueles autores que têm «edições mais recentes» e que é possível «consultar». Apesar de estar ciente de que tal afirmação poderia «chocar», Adélio Amaro garantiu que hoje a «maioria das danças dos grupos são inventadas» e acrescentou que «ninguém consegue comprovar» que a maneira como hoje os grupos dançam é igual à forma como se dançava antigamente. «Todos estes fatores nos levam a fazer novas pesquisas e essa é a grande dificuldade que eu sinto nos grupos de folclore», desabafa.

No início, Ana Rita Leitão começou por admitir que o projeto Baile dos Pastorinhos foi como que uma «consequência quase natural» de outros projetos em que AFRLAE esteve envolvida e deu o exemplo do projeto de Salvaguarda das danças tradicionais e populares portuguesas com raízes em Porto de Mós. Na cerimónia, a investigadora e professora da ESECS, Marisa Barroso, natural de Porto de Mós, aproveitou para realçar a necessidade de se preservar algo que «não é palpável, que é imaterial», a dança. «Dançar é uma das formas de salvaguarda da própria dança. Se ela não for dançada, o que lhe aconteceria? As danças perderam-se no tempo», afirmou, garantindo que um dos objetivos do projeto é que as danças tradicionais juntem o passado com o presente.