Foto: Armindo Vieira

Comemoraram-se no passado dia 14, os 634 anos da Batalha Real, ou de Aljubarrota, cujo ponto alto aconteceu no Campo Militar de São Jorge, local onde se deu o confronto entre portugueses e castelhanos, em que os primeiros, em muito menor número, sob o comando do Condestável do Reino, D. Nuno Álvares Pereira, saíram vencedores.

Presentes na cerimónia, entre outras individualidades, além do presidente da Fundação Batalha de Aljubarrota, Alexandre Patrício Gouveia, o vice-chefe do Estado-Maior do Exército e diretor honorário da Arma de Infantaria, Tenente General Rui David Guerra Pereira, que presidiu, e o presidente da Câmara Municipal de Porto de Mós, Jorge Vala.

Os festejos comemorativos iniciaram-se com a celebração de uma missa campal, a que presidiu o capelão militar de Leiria, padre Luís Morouço, que teve como concelebrante o padre José Henriques Pedrosa, pároco da Calvaria, a cuja paróquia São Jorge pertence.

Na altura própria o celebrante, depois de breve explicação sobre as leituras da missa, focou-se na figura de São Nuno de Santa Maria, para quem teve palavras elogiosas pela sua vida, tanto militar como religiosa.

Assinalado o Dia da Infantaria

No dia 14 de agosto comemorava-se também o Dia da Arma de Infantaria, razão por que as honras militares foram prestadas por um Bloco de Estandartes de todas as Unidades de Infantaria e por uma companhia a dois pelotões. Um pelotão integrava forças das Brigadas de Intervenção e Mecanizada, constituídas por secções do Regimento de Infantaria 13, do Regimento de Infantaria 14 e pelo Batalhão de Infantaria Mecanizado de Lagartas. O outro pelotão integrava as Forças da Brigada de Reação Rápida constituídas por secções do Regimento de Comandos, do Centro de Tropas de Operações Especiais e de Paraquedistas. Havia ainda, não enquadrados, militares de várias unidades do Exército. Também uma exposição de viaturas militares se encontrava no local.

Após o hastear das bandeiras nacional e de Nuno Álvares Pereira, teve lugar a homenagem aos mortos em combate, com uma oração proferida pelo capelão militar e por deposição de flores, junto à imagem de São Nuno de Santa Maria, em cuja cerimónia participaram, Jorge Vala, Tenente-General Guerra Pereira, Alexandre Patrício Gouveia e António Bernardino, da Sociedade Histórica da Independência Nacional.

Seguiu-se uma alocução histórica, relacionada com a data que se comemorava, proferida pelo Coronel Américo Henriques, estudioso e profundo conhecedor da História Militar, especialmente do período em que ocorreu a Batalha de Aljubarrota, e pelo Tenente-General Alexandre de Sousa Pinto, presidente da Comissão de História Militar Portuguesa.

Enquanto o primeiro focalizou as forças armadas como o garante da independência nacional, tendo como base as tropas de Nuno Álvares na Batalha de Aljubarrota, o segundo traçou toda uma biografia do Santo Condestável, desde o seu nascimento até à entrada no Convento do Carmo, não esquecendo a sua ação de beneficência. A cerimónia protocolar encerrou com um desfile das tropas em parada.

O Prémio António Sommer Champalimaud

A anteceder as alocuções históricas e o desfile das tropas, realizou-se a cerimónia de entrega dos prémios relativos à 4.ª edição do Prémio António Sommer Champalimaud, promovido pela Fundação Batalha de Aljubarrota, através do Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota (CIBA), e do Exército Português, no âmbito da comemoração do 634.º aniversário da Batalha de Aljubarrota.
Trata-se de um concurso destinado a instituições de solidariedade social do continente português, que apoiam crianças e jovens em situações de perigo, tendo como objetivo promover jovens institucionalizados para a importância daquela batalha como símbolo da independência nacional.

Este ano, com o tema do concurso A religiosidade de D. Nuno Álvares Pereira, Condestável de Portugal e Patrono da Infantaria Portuguesa, participaram 13 instituições de solidariedade social, dirigidas a crianças e jovens em situação de perigo, centros de acolhimento temporário e lares de infância e juventude, distribuídos por nove distritos do território nacional. Os trabalhos criativos a concurso, apresentam diferentes suportes, desde a pintura à escultura passando pelo audiovisual.

Assim, os três primeiros classificados foram atribuídos do modo seguinte: o 1.º prémio coube à obra Nuno Álvares Pereira, o Santo, do Lar de Crianças e Jovens e Centro de Acolhimento Temporário dos 12 aos 18 anos, da Fundação COI; o 2.º lugar foi atribuído à obra O Condestável Santo, do Centro de Acolhimento Temporário “Oliveira Júnior” da Santa Casa da Misericórdia de S. João da Madeira; e o 3.º prémio foi para a obra O Carmelita, da Casa da Criança, da Santa Casa da Misericórdia de Vila do Conde. Todas as obras restantes foram agraciadas com menções honrosas.
Durante a tarde houve visitas temáticas guiadas às diversas exposições patentes no espaço do CIBA.