Meio milhar de Bíblias, num valor total de 4 770 euros, vão ser enviadas para Angola, ao abrigo de uma campanha que decorreu nas paróquias do Alqueidão da Serra e de Alcaria, mas que contou com o contributo de «muita gente anónima, de várias proveniências», informa, agradecido, o pároco Vítor Mira, responsável pela campanha Bíblias para Angola. Ao nosso jornal, Vítor Mira explica que a iniciativa surgiu a pedido de Céu Gomes, uma alqueidoense, pertencente ao Movimento dos Focolares, que está em missão em Angola. De visita à terra, em novembro passado, Céu Gomes lançou ao padre «o desafio de dar um ajuda para a aquisição de Bíblias», uma vez que no país onde está, «há muita procura pela Palavra de Deus», mas o poder de compra não permite que as populações tenham acesso a este bem.

«Nesse sentido, fizemos uma campanha na paróquia do Alqueidão da Serra e também na de Alcaria, houve ofertórios das missas que reverteram para esse fim, em que as pessoas deram as suas ofertas para conseguirmos arranjar algum dinheiro», revela, acrescentando que houve também quem respondesse ao seu apelo nas redes sociais. Os contributos foram chegando por transferência bancária, assim como alguns donativos mais particulares: «O apostolado de oração deu um contributo e houve crianças que andaram a pedir o “bolinho”, mas em vez de ser para elas, foi para partilhar. Os géneros que lhes foram dados, foram entregues na Casa do Bom Samaritano, e o dinheiro que juntaram ofereceram para as Bíblias», conta. O envio deverá acontecer ainda este mês, através de uma empresa exportadora, que vai disponibilizar um dos seus contentores para levar as «dezenas de caixotes» que estão, atualmente, na casa paroquial do Alqueidão da Serra.

Vítor Mira, que conhece bem a realidade angolana por ter feito lá missão, sublinha que «desde 2014 que a situação [económica] naquele país piorou bastante. As pessoas não têm dinheiro para pagar o valor real de uma Bíblia, o povo simples, o povo anónimo não tem esse dinheiro», no entanto, pretende-se que esta campanha tenha também uma «vertente pedagógica» e, por isso, todos os que queiram receber uma destas Bíblias, deverão dar um pequeno contributo.

Com esta medida pretende-se cumprir dois objetivos, o primeiro é responsabilizar as pessoas: «Quando uma coisa é dada sem nenhum contributo, corre o risco de nem sempre ser bem valorizada. Quando a pessoa dá o seu contributo [por muito pequeno que possa ser], já tem que decidir se quer ou não», explica. Além disso, o dinheiro conseguido reverterá para as cozinhas comunitárias que os focolarinos têm instaladas no país e que alimentam, por exemplo, crianças de rua. O pároco esclarece ainda que «estas Bíblias vão ser distribuídas num contexto de formação», onde «as pessoas vão ser ajudadas a ler a Bíblia, a interpretá-la e a formarem comunidades que ajudem as pessoas a protegerem-se umas às outras», fortalecendo «espiritualmente estas comunidades».