Há 15 dias fomos confrontados com uma das conclusões do inquérito realizado pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa que dava conta de que «61% dos portugueses não leram um único livro em 2020». À boleia deste estudo que procurou analisar, entre outros, os hábitos de leitura dos portugueses, quisemos saber se esse decréscimo de leitores teve reflexo no empréstimo de livros na Rede de Bibliotecas Municipais de Porto de Mós. Margarida Vieira, coordenadora da Biblioteca de Porto de Mós, confirma que, efetivamente, existiu uma diminuição no número de livros requisitados mas que esta se deveu ao facto de terem estado encerrados por causa da COVID-19. «Durante esse tempo entregámos os livros ao domicílio e como não podíamos ir às escolas, a Bibliomóvel [biblioteca itinerante] esteve parada. Por isso, houve uma redução de empréstimos na população infantojuvenil no meio escolar», recorda.

Partindo do mesmo pressuposto, quisemos ainda saber que tipo de pessoas frequentam atualmente a Biblioteca de Porto de Mós e os seus hábitos de consumo. «Temos uma faixa etária alargada, que vai desde as crianças, que vêm acompanhadas pelos pais, até às pessoas com 70 ou mais anos, que vêm todos os dias à biblioteca para consultar as publicações periódicas (jornais e revistas) de que dispomos», afirma, acrescentando que a faixa etária acima dos 30 anos é a que mais requisita livros. Por outro lado, Margarida Vieira revela que se tem sentido um aumento do número de pessoas, sobretudo imigrantes, que utilizam os computadores disponíveis na Biblioteca, seja para «consultar o e-mail, imprimir algum documento ou digitalizar». «Há pessoas que vêm exclusivamente para utilizar o serviço de fotocópias e de impressão, algo que julgo não existir em mais lado nenhum em Porto de Mós», considera.

Na base de dados estão registados 8 959 leitores, um número que Margarida Vieira esclarece que poderá não corresponder ao número de «leitores reais» pois inclui pessoas que já não vão à Biblioteca há muito tempo. Ainda assim, reconhece, a Biblioteca tem um grupo de «leitores frequentes», pessoas que «leem bastante» e que estão sempre a indicar novos títulos de livros para se adquirir. A lista do tipo de livros mais requisitados é liderada pela literatura estrangeira, embora os autores portugueses que estão «mais na voga» também saiam «bastante». Por sua vez, o romance policial é o género literário mais procurado, sendo que se tem sentido um aumento da procura por livros de autoajuda.

O fundo da base da Rede de Bibliotecas Municipais de Porto de Mós, onde se inclui a Biblioteca de Porto de Mós, o polo do Juncal, o polo de Mira de Aire e a Bibliomóvel, é composto por mais de 45 mil exemplares, destes 44 079 são monografias (livros) cuja «maioria provém de investimento da Câmara». Deste fundo fazem ainda parte 2 693 documentos sonoros (CD’s) e 5 179 audiovisuais (DVD’s), setor onde se tem verificado uma maior queda, que Margarida Vieira considera ser «fruto da conjuntura atual».

Foto | Jéssica Silva