Com as bibliotecas fechadas, derivado a este segundo confinamento, o acesso àquele que é para muitos um prazer indispensável tem estado bastante condicionado. Mas, como diz o provérbio, “se Maomé não vai à montanha, vai a montanha a Maomé”, que é como quem diz se as pessoas não vão requisitar livros, vão os livros a casa das pessoas. Foi com base nesse pensamento que várias bibliotecas municipais, espalhadas um pouco por todo o país, decidiram criar um serviço de entrega de livros ao domicílio.

Em Porto de Mós, a iniciativa de entrega ao domicílio não é propriamente novidade. Ainda muito antes da pandemia, esse já era um dos serviços disponíveis na Biblioteca Municipal destinado a pessoas com «problemas de acessibilidade», no entanto, desde o passado dia 4 foi alargado a todas as pessoas. «Atendendo a que vamos continuar confinados ainda mais algum tempo, decidimos criar este serviço», justifica a coordenadora, Margarida Vieira. Sejam revistas, jornais, livros, DVD ou CD, a requisição pode ser feita por telefone ou e-mail. «Dizem o que pretendem, nós agendamos o dia e a hora e entregamos em casa ou no trabalho», refere, acrescentando que quem quiser também pode passar pelas instalações e a entrega é feita «à porta».

A faixa etária das pessoas que desejam aceder a esta iniciativa, exclusiva para o concelho de Porto de Mós, é bastante volátil, como explica a responsável: «Temos desde crianças até pessoas de 70 anos». No que aos livros diz respeito, aqueles que mais saída têm tido são os «de romance, de culinária, da área da psicologia e das ciências sociais». No fim, a recolha pode ser feita em casa ou os utilizadores podem levar diretamente à biblioteca. «Nós temos no exterior uma caixa de devolução de livros, 24 horas por dia, onde o utilizador pode deixar», afirma Margarida Vieira.

“Uma oportunidade de manter a mente sã”

Aqui perto, em Alcobaça, a Biblioteca Municipal também tem empréstimo de livros. «Nós achámos que deveríamos ir ao encontro dos nossos utilizadores», conta César Baltazar. O responsável pela Biblioteca considera que para quem goste de ler esta é «uma oportunidade de manter a mente sã» e de «não se sentirem sozinhos», uma vez que, admite, um livro é «uma companhia».

Este serviço de empréstimo não é, contudo, exclusivo a livros. As pessoas podem solicitar uma «panóplia variada» de materiais como revistas, DVD, CD e até alguns jogos de família, desde que «não sejam muito grandes», ressalva. «Tudo pode ser requisitado, tirando a parte da robótica. Se nós temos e as pessoas precisam, nós enviamos», esclarece. Quem quiser usufruir do serviço, basta apenas que seja utilizador da biblioteca, não havendo a obrigatoriedade de possuir um cartão e o procedimento é muito simples. É só aceder ao catálogo online, selecionar a documentação que pretende e já está. «Nesse mesmo dia embalamos para o correio e entre um a dois dias é entregue em casa, com total segurança», explica o coordenador.

Posteriormente, a recolha é feita por uma viatura da Biblioteca de Alcobaça que irá passar pela casas das pessoas para proceder ao levantamento. «O próprio utilizador é que vai colocar numa caixa a documentação. Nós não lhe tocamos, porque vai ficar em confinamento durante 72 horas», garante César Baltazar. Este serviço «completamente gratuito» abrange todo o concelho de Alcobaça e não só. Quem seja utilizador mas resida fora do concelho poderá também aceder a esta iniciativa. Porém, nesses casos, terão que ser os próprios a suportar o reenvio.
Desde meados de janeiro que esta modalidade está em funcionamento e a adesão tem sido «muito positiva». «Já fizemos à volta de 200 empréstimos», afirma o responsável, acrescentado que existem várias pessoas a requerer este serviço, inclusive utilizadores que já tinham deixado de o ser mas que agora decidiram ativar os seus cartões. Além disso, e sabendo do regresso de muitos estudantes universitários à terra natal, a Biblioteca decidiu ajudá-los permitindo que possam aceder a documentos que têm nas faculdades, recorrendo a um «empréstimo inter-bibliotecas».