João Rosa e André Sousa, os Bigodes do Deserto, partem no próximo dia 14 para participar no Uniraid, em Marrocos, uma aventura solidária que permitirá entregar bens essenciais a algumas das comunidades mais recônditas daquele país africano. Pelo caminho, há um deserto para atravessar. Depois de em agosto último (na edição 899) nos terem contado como entraram no projeto, quisemos agora saber, pouco antes de partirem, como tudo se desenrolou e quais as expectativas para esta aventura.

Vários meses volvidos desde o início da construção do carro, João Rosa diz-nos que «está quase pronto» e, por isso, falta apenas «ver o material que é necessário levar e arrumar as coisas…». Quando decidiram que bens levariam para oferecer, pensaram que «material escolar e roupa era mais fácil de adquirir e mais gente ia levar», então decidiram colocar «o foco na saúde»: «Achámos giro os kits de higiene oral, uma pasta e uma escova. Então andámos junto das marcas em Portugal, a insistir bastante. Conseguimos cerca de 500 pastas e 500 escovas, portanto 500 conjuntos. Conseguimos também que uma outra fábrica cá em Portugal nos arranjasse pequenos sabonetes», explica André Sousa. Apesar de terem algumas ofertas de particulares, que mostraram disponibilidade para contribuir, os dois amigos optaram por se dedicar mais às empresas para conseguir donativos em «quantidades maiores», no entanto, «agora, em função do espaço que sobrar», vão então aceitar alguns desses donativos particulares que foram ficando pendentes.

Quanto custa embarcar numa aventura como esta? A estimativa que fazem, ainda sem as contas fechadas, uma vez que «há sempre despesas de última hora durante a viagem» e têm apenas uma previsão do valor para todo o combustível – cerca de 500 euros –, é de que ultrapasse os três mil euros. No entanto, cerca de metade deste valor é comparticipado pelos patrocínios que conseguiram angariar.

A logística, a preparação psicológica e a expectativa

Saem de Porto de Mós na madrugada de 14 de fevereiro, em direção a Aljeciras, em Espanha. «O plano é abalar daqui com o carro em condições», afirma João Rosa entre risos. «Perto de Gibraltar vamos encontrar-nos com a organização, ser-nos-á atribuído uma espécie de dorsal, vamos ter uma aplicação de geolocalização a funcionar no carro, por segurança… Basicamente, vamos ter ali um briefing e depois, no dia seguinte, às 7 da manhã partimos num navio para Marrocos», explica André Sousa. Depois disso, e até ao dia 23, são dias de uma aventura humanitária que, certamente, permanecerão na memória destes Bigodes do Deserto.

Ambos afirmam que não fizeram nenhuma preparação específica, quer física, quer psicologicamente. «A preparação física que tivemos indiretamente foi na preparação do carro», começa por explicar André Sousa. «A nível psicológico não nos preparámos de forma nenhuma específica, até porque para este tipo de atividades estamos sempre predispostos e criamos sempre alguma expectativa, porque estes projetos dão bastante trabalho e acabamos por criar, mesmo que não queiramos, bastantes expectativas. Estamos ansiosos por começar», avança.

Portomosenses apoiam

André Sousa revela que a dupla «tem sentido o apoio dos portomosenses em geral, tanto das oficinas, como de pessoas amigas»: «Toda a gente fala connosco por causa do projeto». Algumas dessas reações são fruto, dizem, da reportagem feita pel’O Portomosense que, através da publicação no Facebook, «teve um alcance muito maior do que o esperado». Também a entrevista na RTP, aquando da transmissão do Aqui Portugal, em Arrimal, foi um bom impulso, por exemplo, na obtenção de patrocínios: «Sempre que enviávamos cartas a pedir patrocínios, para empresas, entidades, normalmente colocávamos o link para o jornal ou para a entrevista da RTP para as empresas verem que já tínhamos alguma longevidade», conta André Sousa.