A mudança das regras relativas à atribuição de subsídios por parte da Junta do Juncal está a ser contestada pelos Bombeiros desta freguesia. Numa publicação feita na sua página oficial de Facebook, a associação humanitária, pela mão do presidente, Carlos Rosário, diz que, «após 37 anos de existência e 18» sob a sua presidência, a «Junta retirou o subsídio anual à corporação (…) no valor de 3 000 euros» não seguindo o exemplo de algumas que, pelo contrário, até o «antecipam e são gratas aos bombeiros».

De forma irónica, Carlos Rosário refere que, tal como já o disse em Assembleia de Freguesia (AF), os membros da Junta e da AF «devem ser muito inovadores» e «as anteriores juntas, o presidente da AHBVJ [Associação Humanitários dos Bombeiros Voluntários do Juncal] e o país inteiro é que estão enganados». O responsável desafia, ainda, os autarcas a que «façam agora as contas ou deixem de receber as suas remunerações em prol da sociedade». «Davam bom exemplo, outros executivos de Junta já o fizeram», reforça.

Em declarações ao nosso jornal, Carlos Rosário explica que o que está em causa é que o subsídio que a Junta atribuía de forma incondicional está agora dependente de uma candidatura sendo a associação tratada como qualquer outra da freguesia. «O último executivo deu-nos quatro mil e tal euros em material e a Junta sempre nos deu um subsídio de três mil e tal euros para Proteção Civil, ou seja, para prestarmos um serviço gratuito à população e à própria Junta, e agora estes indivíduos acham que não deve ser assim e arranjaram uma nova fórmula que mistura as associações recreativas, culturais, desportivas com a Proteção Civil e temos de fazer uma candidatura e eu não aceito», frisa Carlos Rosário.

O presidente dos Bombeiros diz que, perante isto, se sentiu obrigado a reclamar na última AF, porque «o poder autárquico é o representante do Estado e recebe uma verba para Proteção Civil, que não está a utilizar». Carlos Rosário contesta ainda que a sua associação, pelo seu papel muito específico, seja tratada de igual forma que «algumas que só servem para vender copos ou que são desorganizadas».

«Já trabalhei com três ou quatro presidentes mas agora, possivelmente, as pessoas são as mais espertas que apareceram no mundo», frisa, afirmando que não sabe se esta postura assenta em «falta de sensibilidade e/ou de experiência» ou se, eventualmente, terá a ver «com questões políticas ou pessoais». «Quando questionamos, calam-se, só dizem que nos deram mil euros para um campo de treino mas isso não tem nada a ver com o subsídio anual. Só a Junta de Serro Ventoso já nos deu muito mais e temos também o apoio das de Pedreiras e Calvaria de Cima», conclui indignado.

“Não retirámos apoio a ninguém”

Questionado sobre esta situação, o presidente da Junta de Freguesia do Juncal, Artur Louceiro, começa por afirmar que «a resposta às dúvidas do senhor presidente dos Bombeiros foi-lhe dada na última AF». O autarca nega perentoriamente que o subsídio tenha sido retirado. «A associação recebia um apoio e nós não lho negamos. O que está aqui em causa são procedimentos. Estamos a trabalhar da mesma forma que a Câmara por ser a mais correta. A associação faz a sua candidatura numa plataforma digital e apresenta dois ou três documentos que pedimos, tudo coisas muito simples. Depois de aprovada, fazemos um protocolo de cedência», explica, acrescentando que, desta forma, «todas as verbas para entidades externas ficam devidamente protocoladas» e a Junta confia que sejam utilizadas para os fins indicados na candidaturas.

Segundo Artur Louceiro, «todas as associações, à exceção dos bombeiros, aceitaram este procedimento, já fizeram a candidatura e, inclusive, já receberam o dinheiro. A associação humanitária também o fez, mas não na plataforma, como nós pretendemos. Apesar disso e como o sistema ainda não estava a funcionar a 100% foi decidido atribuir-lhes também uma verba e foi-lhes comunicado por e-mail mas tinham de apresentar os documentos tal como o fazem quando é para a Câmara». «O senhor presidente dos Bombeiros diz que não tem de apresentar nada, mas nós queremos que todo o dinheiro que saia fique registado e justificado com um protocolo», refere o autarca, sublinhando que «se [Carlos Rosário] quer o apoio da Junta tem de cumprir as regras como todos os outros»: «Se eu for pedir alguma coisa à instituição que ele preside também tenho que cumprir, portanto, aqui é a mesma situação», conclui.

Foto | Bruno Sousa