A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Porto de Mós e a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Mira de Aire foram duas das 16 associações do distrito de Leiria (de um universo de 184 a nível nacional) que este ano decidiram, uma vez mais, aderir ao Quartel Electrão, uma campanha que surgiu em 2011, com o objetivo de envolver as corporações de bombeiros na sensibilização da população para a reciclagem, através da recolha de equipamentos elétricos, pilhas e baterias usados. A ação, que começou em janeiro, termina no final deste mês e, até agora, aos pontos de recolha instalados nos dois quartéis já chegaram mais de 25 toneladas destes resíduos.

A campanha é dinamizada pel’O Electrão – Associação de Gestão de Resíduos que, por cada tonelada de resíduos recolhidos, entrega uma bonificação de 75 euros. Para além deste valor, também oferece prémios às associações que mais resíduos reúnam e que vão desde cartões pré-pagos de combustível até a um Veículo Ligeiro de Combate a Incêndios de tipo florestal. Prémios que, para o presidente dos Bombeiros de Porto de Mós, António José Ferreira, são inalcançáveis: «Obviamente que não temos hipótese nenhuma. Estamos em Porto de Mós não estamos em Lisboa ou no Porto, onde se calhar haverá áreas de recolha muito maiores do que a nossa», considera.

Há 10 anos que os Bombeiros de Porto de Mós aderem à campanha Quartel Electrão e, desde essa altura, já «faturaram 8 173 euros – o que dá uma média de 800 euros por ano», segundo dados revelados por António José Ferreira. Só este ano, a corporação já reuniu oito toneladas de resíduos que se transformaram num retorno de «cerca de 600 euros», dinheiro esse que, explica o presidente, é utilizado «fundamentalmente na compra de equipamento necessário à manutenção» do corpo de bombeiros e na «ajuda ao orçamento anual da associação». Por ser uma fonte de rendimento, a continuidade nesta campanha é algo que, garante, não está em causa: «Enquanto for possível, é para continuar. Primeiro, porque há uma receita anual e, depois, porque é uma forma de colaborarmos e contribuirmos para a melhoria do ambiente», justifica.

Descontentes por verem que vários eletrodomésticos eram depositados em locais indevidos e conscientes da necessidade de reduzir a pegada ecológica, os Bombeiros de Mira de Aire nem pensaram duas vezes em aderir ao Quartel Electrão. Desde 2011 até 2021, chegaram ao quartel mais de 130 toneladas de resíduos – este ano já foram cerca de 17 – o que se refletiu no recebimento de cerca de 6 500 euros (1 287 euros desde 2021 e até ao momento), conforme adiantou o presidente, António Rocha. Este montante é usado na aquisição «de equipamentos para as ambulâncias e ferramentas que sejam necessárias para os carros», afirma o presidente, revelando que também já foram atribuídos à associação vales de combustível. Ao longo desta década, António Rocha faz um balanço positivo da iniciativa que considera ter sido «benéfica» para os habitantes de Mira de Aire: «As pessoas têm contribuído. Muitas vezes até nos pedem para irmos buscar a casa, mas obviamente que não podemos ir», conta.