O assunto dos cães vadios volta a ter palco, desta vez no que respeita à freguesia do Alqueidão da Serra. Na última sessão da Assembleia Municipal, o presidente de Junta, Filipe Batista, informou que, a 25 de abril, percorreu várias ruas da freguesia tendo, ele próprio, contado «13 cães vadios». «As pessoas estão a fustigar-me a cabeça acerca destes animais, porque só transportam pulgas, carraças, piolhos…», revelou o autarca. Filipe Batista questionou o executivo acerca dos critérios para que os animais deem entrada no canil municipal, uma vez que diz ter conhecimento que outros animais foram recolhidos tendo ficado “para trás” os do Alqueidão da Serra. «Desafio-o a operacionalizar um plano de esterilização, quer para cães, quer para gatos, é urgente. Eu penso que temos que começar do zero, porque este problema não é só do Alqueidão da Serra, e enquanto não começarmos do zero, vamos ter esta problemática», considera.

A resposta veio do vereador do Ambiente e vice-presidente da Câmara, Eduardo Amaral, que começou por explicar que «a prioridade de recolha» é definida consoante o “tamanho” do problema. «As gaiolas estiveram no Alqueidão da serra, conseguiram apanhar alguns [animais]. Tivemos um problema nas Pedreiras em que alguns cães mataram animais domésticos, tivemos de deslocar as gaiolas para lá. Depois tivemos de as retirar para a freguesia de Serro Ventoso, onde alguns cães mataram ovelhas e era necessário interferir no imediato. Fizemos também a ligação com o Serviço de Proteção da Natureza e Ambiente [da GNR]», esclareceu Eduardo Amaral. O autarca afirmou, no entanto, que «mais importante do que identificar os animais», é conseguir capturá-los, o que traz «alguma dificuldade», ponto em que é «fundamental a colaboração das Juntas e da própria comunidade».

Depois de fornecer alguns dados acerca do trabalho do Centro de Recolha Oficial de animais de Porto de Mós (ver infografia abaixo) e de «enaltecer o trabalho dos voluntários» que lá prestam serviço, Eduardo Amaral revelou que a Câmara está a traçar um plano para a criação de colónias de gatos. «O grande problema é: quem é que se responsabiliza por estas colónias? E não é uma questão de alimentação, porque o Município está disposto a pagá-la. É, sim, porque, segundo a legislação, tem que haver um responsável e as pessoas não querem sê-lo», explicou. Apesar dos problemas que esta estratégia possa criar para quem não gosta de gatos e não quer «tê-los à porta», o vereador afirmou que a autarquia quer, ainda este ano, «fazer uma experiência», que depois será avaliada e, caso tenha resultados positivos, replicada em várias zonas do concelho.