Em menos de um ano é já a terceira vez que, às páginas deste jornal, trazemos os problemas que cães vêm causando às populações serranas do concelho. Desta vez, as vítimas são da União de Freguesias de Arrimal e Mendiga. O primeiro relato chegou-nos de uma moradora de Alqueidão do Arrimal, Sandra Santos, que há cerca de um mês viu o seu rebanho atacado: «Perdi cordeiros e uma cabrita que já estava grávida», revela. Entre os vizinhos, conhece outros casos semelhantes, mas afirma ter sido a única a fazer queixa à GNR. «A GNR tentou fazer o possível mas como os cães não têm microchip, não conseguiu fazer nada e os proprietários dos cães não são responsabilizados», adianta. Sandra Santos acredita, no entanto, conhecer os donos dos cães, a quem até já se dirigiu mas que dizem não ser os proprietários. «O canil de Porto de Mós, como toda a gente sabe, está sempre cheio. Já mandei uma mensagem ao presidente da Câmara para recolher os animais, porque é um perigo continuarem à solta, mas não me respondeu, nem me contactou», diz, sem ver solução para este problema. Agora, tem os seus animais «fechados, em sítios bem vedados», mas diz ter «medo», porque «todos os dias há rebanhos a ser atacados».

Mais recentemente, há pouco mais de uma semana, chegou a vez do rebanho da família de Saúl Conceição, do Arrimal. «Fomos levar o gado à serra e ao final do dia, quando fomos buscá-lo, havia ovelhas feridas e duas estavam desaparecidas. Uma apareceu cadáver e a outra ainda não sabemos dela», revela, junto da mãe, que diz sentir-se triste pois a ovelha desaparecida foi alimentada, por si, a biberão. Agora, além do prejuízo de terem perdido animais, têm o rebanho «à palha» e sempre com alguém a guardá-lo. Saúl Conceição já voltou ao local onde se deu o ataque e diz ter visto três cães, que fugiram assim que se aproximou. «São cães de caça, de certeza, porque andavam no meio do mato à procura de comida», considera.

Saúl Conceição foi também mordido por um outro cão, que atacou animais de um vizinho. «Um indivíduo viu os cães a atacar, identificou um deles, fomos a uma pedreira e estava lá o cão. Veio a Guarda, disse que não o podiam agarrar e eu agarrei-o, levei uma mordidela na mão», conta. Como a GNR não conseguiu identificar o cão, «não fez nada». Com Saúl Conceição estava Mário Carreira, cujo rebanho foi atacado «dentro de uma propriedade completamente vedada», também no Arrimal. Com dois animais mortos e outros dois feridos, Mário Carreira apresentou queixa à GNR que lhe disse que o assunto tinha que ser resolvido «com a Proteção Civil ou com o Canil Municipal». Residente em Porto de Mós, diz ser procurado pelos vizinhos para conseguirem uma mais rápida solução e afirma ter já dado conta do sucedido ao presidente da Câmara, que lhe respondeu ter já conhecimento da situação e estar à procura de uma resolução. Mário Carreira mostra-se indignado e diz que, nos últimos tempos, mais de meia centena de animais já morreram na vizinhança, devido a estes ataques e afirma que «são cães que têm dono e que são soltos».

Em resposta a uma pergunta enviada pelo nosso jornal sobre o tema, o presidente da Câmara, Jorge Vala, disse «ter conhecimento desta situação» e que «de acordo com as informações recolhidas, o ataque terá ocorrido por cães com dono e sem chip, o que incorre numa infração». Jorge Vala disse ainda que a «GNR também tem conhecimento desta situação, estando a atuar dentro das suas atribuições». O autarca frisou que a Câmara «vai continuar a acompanhar» a situação e salientou que a culpa deve ser atribuída «aos donos dos animais, sendo as coimas aplicadas pelas entidades competentes». No caso dos animais abandonados, «está a ser feito um trabalho de recolha, registo, tratamento e encaminhamento para adoção responsável», por parte do canil municipal, adiantou.