Porto de Mós tem, desde o passado fim de semana, uma das 2300 Caixas Solidárias espalhadas em todo o país. A caixa, feita por anónimos, como manda o conceito, foi colocada junto aos placards informativos no exterior da Igreja de São Pedro. Conhece este projeto? O conceito é simples, uma caixa, deixada num local público que vai sendo abastecida, por qualquer pessoa, com bens de primeira necessidade. Esses bens ficam, assim, disponíveis para que, quem precise, possa ir buscá-los. De acordo com Nuno Botelho, fotojornalista do semanário Expresso e mentor da ideia, o lema é “Deixe o que puder, leve o que quiser”.

«Aqui em casa, queríamos ajudar nesta altura de pandemia, o problema é que eu continuo a trabalhar todos os dias, a minha mulher está em casa, mas temos um filho pequeno e ela continua a dar consultas pelo Skype. Portanto seria impossível fazer voluntariado numa instituição», explica a O Portomosense. Foi na sequência disso mesmo que se lembrou desta ideia, que tinha a vantagem de a solidariedade poder ser exercida mesmo à porta de casa, evitando deslocações, tal como recomenda a Direção-Geral da Saúde, «daí [a ideia], se calhar, ter sido tão bem acolhida por toda a gente, é uma ideia simples e que chega a muitos sítios», refere. Na opinião de Nuno Botelho, «as pessoas viram esta ideia como uma pequena coisa para que podem contribuir, seja a fazer uma caixa, seja a doar bens alimentares. Cada um pode fazer um bocadinho». Além disso, para si, «as caixas têm uma coisa boa», estão disponíveis «24 horas por dia e como existe muita pobreza encoberta, qualquer pessoa chega a essas caixas e levanta aquilo de que necessita» anonimamente.

O que se pede, para quem queira iniciar uma Caixa Solidária, é que «o faça perto de si, para não haver deslocações, encha com bens necessários, de primeira necessidade» e tenha «todos os cuidados de higienização», além disso deve «colocar um papel com o lema para que quem olhar para a caixa, saiba do que se trata». Há um grupo de Facebook, com o nome @caixa.solidária, que conta já com mais de 90 mil membros, onde é possível saber da localização de todas as caixas. Quem cria uma caixa, deixa essa indicação no grupo, com morada detalhada e pontos de referência, e a informação é depois registada num mapa onde se pode fazer uma consulta rápida. Qualquer pessoa que queira contribuir, ou que esteja a necessitar, tem à disposição o mapa.

No país há já mais de 2 300 caixas registadas. O concelho de Porto de Mós entrou agora para este mapa, acompanhando os concelhos limítrofes que têm, por vezes, mais do que uma. O processo de criação é simples e o lema é sempre o mesmo “Deixe o que puder, leve o que quiser”.