Para grandes males, grandes remédios. A Câmara quer que o presidente da Autoridade Nacional das Comunicações (ANACOM), a entidade reguladora das comunicações eletrónicas, venha a Porto de Mós, para comprovar por si mesmo que, ao contrário daquilo que terá garantido a operadora com a qual o Município está a trabalhar, as freguesias onde há mais queixas relativas à fraca qualidade de rede não estão cobertas a 90%, com 4G, e nem o concelho tem 70% do seu território coberto com fibra ótica.

O presidente da Câmara, Jorge Vala, disse na última reunião do executivo que o ofício já foi, entretanto, reforçado via telefone, ficando claro que o Município quer mesmo que a ANACOM intervenha neste processo e para isso nada melhor que o seu presidente, em pessoa, vir ao terreno e, tal como o autarca sublinhou, «com um telefone da operadora, perceber que alguns lugares, e não são poucos, da freguesia de São Bento, da União de Freguesias de Arrimal e Mendiga, da freguesia do Alqueidão da Serra e de uma pontinha da de Mira de Aire, não têm rede de voz, quanto mais 3 ou 4G». «O nosso objetivo é que as pessoas sintam que o país, visto do seu gabinete em Lisboa, é muito diferente do país real e que, neste caso, a informação que nos foi prestada por escrito não corresponde à realidade», sublinhou.

O anúncio do convite surgiu em resposta à vereadora Anabela Martins (PS) que questionou se «já há avanços na tentativa de resolver a questão, nomeadamente em São Bento», de quase uma centena de crianças e jovens [este número foi avançado por Jorge Vala] que estão impossibilitados de participar nas aulas online ou o fazem de modo muito condicionado por, nas zonas onde vivem, o serviço de internet ser inexistente ou de fraca qualidade. A vereadora quis ainda saber se «haveria abertura para, em parceria com alguma das operadoras ou por iniciativa própria, avançar com a colocação de uma antena» que pudesse colmatar o problema ou, em alternativa, «comprar equipamento para os alunos».

Jorge Vala confirmou que não há desenvolvimentos e que está preocupado assim como o estão as Juntas de Freguesia. Quanto à colocação de antenas ou aquisição de material, a questão «terá de ser ponderada porque só para São Bento seriam necessárias três ou quatro antenas», sublinhou.