No passado dia 10 decorreu em Porto de Mós, pelo sexto ano consecutivo, o Campeonato de Marcha de Estrada nas distâncias de 35 e 50 quilómetros. Desportivamente, o balanço é animador, depois de um ano marcado por falta de provas. «O Campeonato foi extremamente positivo, não só porque tivemos boas disputas nos nossos campeonatos nacionais, mas também pela presença de um grupo de atletas estrangeiros que valorizaram claramente o nosso campeonato», salienta o técnico nacional de marcha, Carlos Carmino.

Na distância de 35 quilómetros masculino o campeão nacional foi, pelo sexto ano consecutivo, João Vieira (Sporting Clube de Portugal) e no feminino foi Vitória Oliveira (Sporting de Braga) a primeira a cortar a meta batendo «o seu recorde pessoal» e revalidando o título do ano passado, em Porto de Mós. Nos 50 quilómetros masculinos «houve um campeão inédito», Rui Coelho (Centro de Atletismo de Seia), que conseguiu entrar «para o ranking mundial que dá acesso aos Jogos Olímpicos», no entanto, este ranking ainda não está fechado e é atualizado todas as semanas com resultados de provas de todo o mundo, «mas se fechasse agora, ele ia aos Jogos», frisa Carlos Carmino.

Quem também se voltou a superar e revalidou o título nacional, foi Sandra Silva (Atlético Póvoa do Varzim), nesta distância, «batendo o recorde pessoal»: «Apesar de ela ser veterana, com mais de 45 anos, ainda bateu o seu recorde pessoal. Aliás, até já comunicámos a possibilidade de fazer outra prova, porque ela ficou a dois minutos do recorde do mundo», salienta o técnico nacional.

Carlos Carmino destaca a importância para a competitividade da presença dos atletas estrangeiros. «Por exemplo, o nosso campeão nacional de 35 quilómetros, o João Vieira, que é vice-campeão do mundo, não foi o que chegou em primeiro lugar, ele perdeu com um colombiano, o José Montaña, por isso dá para perceber ao bom nível que teve que estar para poder ganhar ao João Vieira», destaca. O técnico nacional [o equivalente a selecionador nacional] lembra ainda que se realizou a prova extra de 20 quilómetros, onde também foram atingidos bons resultados. Edna Barros venceu esta distância no feminino, «cumprindo os critérios exigidos pelo Comité Olímpico de Portugal e continuando assim na preparação [para os Jogos] e reentrando no ranking mundial». Já nos masculinos, a prova foi ganha «pelo campeão do mundo de 2017», o colombiano Eider Arévalo e em segundo lugar ficou o também colombiano, Manuel Esteban Soto, «que foi 9.º nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro e que está na luta pelo acesso aos Jogos».

Este ano, como O Portomosense já tinha avançado, foram feitas algumas adaptações para garantir que todas as normas da Direção-Geral da Saúde eram cumpridas, nomeadamente a alteração do local da prova. A competição realizou-se na Zona Industrial de Porto de Mós, na Amarela, sobretudo numa tentativa de evitar público e nesse aspeto, o balanço é positivo: «Só estiveram presentes os atletas, os refrescamentos e abastecimentos foram feitos pelos acompanhantes de cada atleta e também os dirigentes, mais ninguém podia estar presente. É bom recordar que a GNR esteve presente, o circuito estava fechado, mas não houve necessidade de intervenção nenhuma, porque não houve ajuntamentos e o distanciamento foi cumprido», garante o dirigente.

O técnico nacional lamenta apenas que ainda «não se possa fazer provas para crianças e jovens. É o único aspeto negativo», mas «perfeitamente aceitável nesta crise pandémica», diz. No entanto, Carlos Carmino salienta que a marcha atlética é uma «modalidade de risco baixo» e espera, daqui para a frente, conseguir realizar mais provas, recuperando a competitividade para estes atletas.

Associação distrital de atletismo de leiria (ADAL) | foto