O Campeonato Nacional de Marcha em Estrada realizou-se pelo oitavo ano consecutivo em Porto de Mós, mas regressou à vila, depois de dois anos a ser realizado na Zona Industrial. Nos masculinos, João Vieira (Sporting CP) sagrou-se campeão nacional pela sétima vez nos 35 km com uma marca de 2h36m32s, o seu segundo melhor resultado de sempre. Já Inês Henriques (Clube de Natação de Rio Maior), sagrou-se campeã dos 35 km. A atleta, que é embaixadora de Porto de Mós, terminou a prova em 2h55m26s, que lhe vai permitir estar presente no Campeonato da Europa de Nações, em marcha atlética.

Este campeonato não parou durante a pandemia e um dos motivos foi as condições que a Federação Portuguesa de Atletismo (FPA) encontrou em Porto de Mós. «Quando começou a pandemia, continuámos a fazer a prova, mas não dentro da vila, tivemos que ir para a Zona Industrial, que cumpre perfeitamente estes requisitos que a FPA exige», sublinhou o técnico nacional de marcha atlética, Carlos Carmino. Agora, de «regresso à vila», o técnico, garante que espera que continue «para muitos e bons anos». «Nós, FPA, estamos contentes com o apoio que o Município nos tem dado», frisa.

Em Porto de Mós, estiveram os melhores atletas da disciplina, no entanto, avaliando o contexto geral da marcha, o técnico assume que já «esteve melhor». «Estou a lembrar-me dos Jogos Olímpicos de 2016, tivemos oito atletas na marcha, em Tóquio 2020 [que se realizaram em 2021], tivemos apenas dois marchadores», recorda. Portugal continua a ter «atletas bons» mas está «numa fase de renovação do setor». «Estivemos com vários jovens no Campeonato do Mundo de juniores, que estiveram aqui hoje, estivemos também com vários jovens no Campeonato da Europa de juvenis, alguns que estiveram aqui hoje, mas a renovação nem sempre é fácil», salienta. Carlos Carmino apela à ajuda «das Associações Distritais e dos clubes», dos quais, assume, a FPA «depende». «Felizmente, o Grupo Desportivo das Pedreiras (GDP) tem feito alguma renovação, conseguiu no ano passado a primeira campeã nacional, Isa Ferreira, e tem o André Moreira, dois jovens que neste momento mais se destacam e espero que progridam». O técnico diz que o mesmo se passa noutros clubes do distrito «que tem alguns jovens bons». «É uma disciplina ingrata, o gesto técnico não é propriamente apelativo, popular, mas alguns resistem, digamos que só os mais desinibidos e resistentes ficam a praticar marcha», realça.

Jorge Vala ambiciona ter mais provas

«Este é um evento de dimensão nacional, é sempre importante receber. Porto de Mós está associado a uma marca mundial, da Inês Henriques [que aqui estabeleceu a marca dos 50 km], e a partir desse momento, Porto de Mós ficou uma referência quando se fala de atletismo e em particular de marcha», considera o presidente da Câmara, Jorge Vala. Para o autarca, «acresce ainda o facto» do concelho ter uma equipa de atletismo – o GDP – «que tem feito um trabalho extraordinário a este nível e trazer provas para Porto de Mós é fundamental para incentivar ainda mais os que já praticam e tentar promover a modalidade». Ter atletas internacionais em Porto de Mós «é também um ponto de incentivo importante». Na opinião de Jorge Vala, o concelho tem condições para «receber outras provas nacionais de atletismo».

Uma campeã, dois vice-campeões e um quarto lugar: assim foi a prestação do GDP

Em simultâneo com o Campeonato Nacional de Marcha em Estrada, decorreu o Campeonato Distrital onde participaram cinco atletas do GDP, com resultados que «orgulharam» o treinador, Emanuel Moniz. Isa Ferreira sagrou-se campeã distrital de sub-18, batendo o seu recorde pessoal e apenas a «15 segundos da marca de qualificação para o Campeonato da Europa», um objetivo que tinha sido traçado pelo clube e pela atleta, embora Emanuel Moniz frise que seguem o trabalho «para que o objetivo seja alcançado para a próxima». Lara Beato foi vice-campeã no mesmo escalão, lugar também conseguido por André Moreira (sub-18). Isabel Chindongo foi quarta em infantis femininos. «Estou orgulhoso do trabalho que temos vindo a fazer, tem sido espetacular e é sempre bom estarmos na nossa terra», frisou o técnico. Ver pais, colegas da direção, pessoas das Pedreiras, a torcer pelos atletas, é «uma festa», sublinha, acreditando que Porto de Mós tem ótimas condições para receber estas provas. «Tem um ambiente diferente de todos os outros porque engloba muita coisa, estamos num sítio muito bom, o percurso é espetacular e por isso, além de campeonatos nacionais, podemos vir a ter provas internacionais», antevê.

Campeã nacional de 35 km e embaixadora de Porto de Mós em discurso direto:

Porto de Mós, para mim, é uma vila muito especial, foi onde eu fiz o primeiro recorde do mundo e onde tudo começou. Nesse ano sagrei-me campeã do mundo e posteriormente fiz aqui o recorde nacional dos 35 km, depois fui campeã da Europa dos 50 km. Tinha saudades de vir aqui. Os últimos campeonatos têm sido também em Porto de Mós, mas na Zona Industrial, e voltar à vila, sem dúvida nenhuma, é diferente. Queria voltar e sentir-me bem, sentir-me feliz a marchar e tendo em conta o treino que eu tenho neste momento, foi um bom resultado e o início da época que espero que seja ainda mais positivo.
Inês Henriques

Fotos | Jéssica Moás de Sá