A transmissão online das sessões da Assembleia Municipal de Porto de Mós (AM) foi uma promessa comum deixada por três dos candidatos àquele órgão autárquico no debate promovido pel´O Portomosense e Rádio Dom Fuas. À chamada compareceram António Ferraria (CDU), Clarisse Louro (PSD) e Rita Cerejo (PS). Já Sandra Sousa (Chega) informou, por e-mail, dois dias antes, que «por motivos profissionais» não poderia estar presente. O debate realizado no domingo, dia 5 de setembro, teve como palco o Cine-Teatro de Porto de Mós.

Todos querem sessões transmitidas “online”

Relativamente à transmissão das sessões via internet o consenso, de facto, foi geral. Clarisse Louro disse que «se não fosse a pandemia já teria acontecido» mas «estando o executivo camarário tão preocupado com a situação que existia no concelho», e porque «é este é que tem de disponibilizar os meios», considerou que não era a altura para o estar a solicitar. Para a candidata do PSD, «não é uma questão de moda mas dos nossos tempos». «As transmissões permitem que as pessoas oiçam o que se passa na AM e se sintam mais motivadas para participar. Quanto mais participadas e esclarecedoras forem as sessões, melhor», considerou.

Rita Cerejo, disse que «era precisamente por estarmos em pandemia que deveria ter havido a preocupação de avançar o mais rápido possível» porque as pessoas estavam em casa e mais predispostas a assistir. Na sua opinião há ainda uma grande confusão entre o que é a Câmara e o que é a Assembleia Municipal e com a transmissão online as pessoas iriam perceber que são órgãos com funções completamente distintas. As sessões «serviriam como que montra e teriam a função pedagógica de mostrar e de esclarecer o que faz a AM». Por outro lado, permitiriam o acesso de todos os que «por motivos de ordem pessoal ou profissional gostariam de participar e não o podem fazer», explicou.

Por sua vez, António Ferraria, considerou que «as transmissões online representam uma evolução da sociedade a nível global» e «contribuem para que as pessoas fiquem mais esclarecidas e saibam em quem votar, ao contrário de outros tempos em que «havia uma pessoa que dizia que ia para ali ou para acolá e toda gente ia atrás». «As transmissões são uma coisa positiva porque também vão ajudando a alterar a maneira de estar e pensar das pessoas e até o modo de funcionamento das instituições», disse chamando, contudo, a atenção para o facto de ainda haver «muita gente que mal sabe ler e escrever» e que, por isso, poderá não ter facilidade em recorrer à internet.

Assembleias descentralizadas irão continuar

Já quando à vontade ou não de manter assembleias municipais descentralizadas, António Ferraria disse que caso seja eleito são para continuar. «Reconheço-lhe o mérito desde que a população também esteja motivada para participar. É importante ir às freguesias e as pessoas começam a saber o que é a AM e a saber distingui-la da Câmara», considerou. Por sua vez, Clarisse Louro deixou claro que se for reeleita vai continuar a promover este tipo de sessões embora reconheça que o modelo, «como tudo na vida, pode ser melhorado». Rita Cerejo disse não ser «adepta de chegar e destruir o que foi feito só porque o foi por outra pessoa ou outra força partidária», por isso, é sua intenção ter assembleias descentralizadas mas a funcionar num modelo diferente. A candidata disse não ver «que a ideia seja negativa», apenas que «a execução deixa muito a desejar». Nesse sentido defendeu a reformulação do modelo e que seja «acompanhada de outras medidas como as transmissões online». Para si, não deve haver um modelo único «em que hoje é aqui e amanhã acolá» mas ir às freguesias «quando há uma comemoração específica ou um assunto que tenha especial relevância para aquela comunidade». As saídas devem ser a exceção e não a regra, até porque «nem todas as freguesias terão condições para acolher com dignidade as sessões», afirmou, sendo contrariada neste último aspeto tanto por António Ferraria como por Clarisse Louro.

Quanto às assembleias temáticas, Rita Cerejo, disse que «devem depender da época e do que estiver na ordem do dia». «Se houver um tema a ser discutido e que não caiba na ordem de trabalhos, uma comemoração específica, uma data para comemorar, poder-se-á fazer mas fazer assembleias temáticas com regularidade e convidados para falar, não tenho isso em mente», afirmou. António Ferraria, por seu turno, considerou que sessões tendo temas como a agricultura ou o ensino são interessantes porque «nós precisamos de debater certas coisas como os setores agrícola e pecuário e é bom que estes temas cheguem à Assembleia». Clarisse Louro mostrou-se convicta de que, a este nível, «o que foi feito foi bem feito» voltando a manifestar-se disponível para em conjunto com os líderes de bancada «delinear algumas estratégias». Para si faz todo o sentido, por exemplo, que a AM se debruce «sobre o Plano de Recuperação e Resiliência, bem como o Portugal 2030», dois instrumentos «que vão colocar novos desafios ao poder local e novas formas de descentralização administrativa». «Vou propor a realização de uma ou duas sessões com peritos nessa área», anunciou.

As pessoas foram escolhidas com que critério?

Relativamente ao critério que presidiu à constituição da sua lista, Rita Cerejo respondeu que foi «o mérito de cada um em termos profissionais e pessoais, expresso, por exemplo, no envolvimento que tem nas causas em que participa ao nível da sua comunidade» e aqui tanto entram pessoas comuns sem experiência de vida política e autárquica, como ligadas ao partido, esclareceu. António Ferraria referiu que a equipa não foi escolhida por si mas teve o seu apoio. «A CDU tem uma estrutura e a própria CDU decidiu quem seriam os candidatos mas eu também me pronunciei», disse, acrescentando que «é tudo gente bem vista na sociedade, com crédito e prestável». Clarisse Louro, explicou que a sua equipa foi constituída por «pessoas interessadas no concelho, com mais ou menos experiência política, mas de várias áreas profissionais». «O objetivo foi reunir pessoas comprometidas com esta causa e com conhecimentos nas mais variadas áreas profissionais». Procurou-se, ainda, ter «pessoas das freguesias» para haver o conhecimento mais a nível local. Em suma, «uma equipa jovem, motivada e, acima de tudo, que gosta do seu concelho», sublinhou.

Parcerias ou não?

Ao longo do debate, os candidatos tiveram a oportunidade de identificar aquilo que está menos bem na AM de Porto de Mós e de avançar com algumas propostas. António Ferraria considera que nas ocasiões em que foi deputado municipal prestou «um serviço ao concelho levando à AM as preocupações e os anseios da comunidade» e é isso que novamente se propõe fazer. O candidato da CDU quer sessões mais produtivas, descentralizadas, transmitidas online e com maior número de participantes em termos de público. «Temas como a Saúde e os problemas do mundo rural» estão na sua agenda. Rita Cerejo tem objetivos não muito diferentes mas em termos de propostas há uma que se destaca: a candidata pretende que a AM estabeleça parcerias com a Câmara, Juntas, IPSS, associações locais, escolas e outras entidades para que, em conjunto, se possam promover ações de sensibilização e outras atividades sobre temáticas «que são caras às pessoas em áreas tão diversas como educação, saúde, agricultura, juventude e seniores». Segundo a candidata do PS, a intenção não é a AM abandonar as suas funções deliberativas e de fiscalização da atividade da Câmara, mas, «sem violar a lei, fomentar a participação cívica, pondo as várias partes à conversa e fazendo com que os seus próprios elementos se envolvam naquilo que for feito por entidades parceiras». Para isso, escolheu um tema para cada ano e a ideia é a AM apoiar ações de sensibilização que os seus parceiros possam vir a desenvolver. Rita Cerejo, considera, ainda, fundamental, criar a Assembleia Municipal Jovem como forma de levar a que os mais novos cedo conheçam e se interessem por este órgão autárquico.

Por sua vez, Clarisse Louro, acredita que a AM, consigo na presidência, ficou mais democrática, prestigiada e aberta à população. A candidata social-democrata reconheceu que não conseguiu «criar grupos de trabalho» mas mostrou-se confiante de que o irá conseguir agora caso seja reeleita. Quanto à proposta de Rita Cerejo congratulou-se por esta, no debate, «ter esclarecido o que pretende fazer» porque até aí «parecia que estava a apresentar um programa de trabalho com ações concretas e calendarizadas para cada ano e isso não pode ser porque a AM não tem funções executivas», sublinhou. De qualquer forma, considera que se a intenção da candidata do PS é sensibilizar, a sensibilização já é feita através de «estruturas próprias locais, regionais e nacionais» e estas fazem-no muito bem. Para si, mais importante que fazer parcerias para falar de temas como o bullying, a violência no namoro, ou a saúde mental, é questionar a Câmara sobre que políticas tem para estas áreas.