Sabemos que o Natal já passou, até dedicámos algumas páginas a essa data, mas temos que voltar até lá porque foi através de uma música natalícia que descobrimos o percurso de Carolina Gaspar. Quantos de nós conhecemos estes versos? «A todos um bom Natal/Que seja um bom Natal/Para todos nós». É impossível não cantar, porque esta canção, interpretada originalmente pelo Coro Infantil Santo Amaro de Oeiras, faz parte das nossas vidas e entra todos anos, sobretudo através da televisão, nas nossas casas. Também foi através da televisão que a vimos, como maestrina, a coordenar este tão conhecido coro, mas foi quando disse «sou de Porto de Mós», que soubemos que tínhamos de a conhecer.

Hoje Carolina Gaspar vive no distrito de Lisboa, onde trabalha e onde tem feito um percurso vasto de experiências na área da música, mas foi em Porto de Mós que viveu até aos seus 18 anos, até ir estudar, precisamente, para a capital. É com «grande carinho» que guarda «as memórias de infância passadas em Porto de Mós», tendo ainda «alguns amigos de escola», do tempo em que por cá estudava. O amor pela música também vem desde tenra idade e os pais podem ter sido um pouco “culpados”: «Os meus pais cantavam no coro e sempre nos deram [aos filhos] uma educação que tinha uma base muito forte na música e nas artes e sem dúvida que isso influenciou todo o meu percurso», confessa. O seu pai, Fernando Gaspar, foi inclusive, o grande impulsionador do coro do Alqueidão da Serra, Coral Calçada Romana, onde Carolina também cantou «quando era pequenina». «Ainda fizemos algumas digressões, até ao estrangeiro, por isso, acompanhei o crescimento dessa criação musical», recorda.

Além de ter todo este contexto propício para o desenvolvimento musical, começou também muito cedo a formar-se na área. «Eu estudo música desde os 4 ou 5 anos, além de ter estudado na Sociedade Artística e Musical dos Pousos (SAMP) e no Orfeão de Leiria, na Escola Primária estudava na Solidó com o professor Rui Girão, por isso, o meu início musical começou em Porto de Mós», conta. Carolina Gaspar também chegou a tocar «flauta transversal na Orquestra do Juncal e na Banda Filarmónica do Arrabal [Leiria]».

A ida para Lisboa

Apesar de saber cantar e tocar, Carolina Gaspar tinha a certeza que «não queria ser instrumentista». Por ter «gostado sempre muito de escrever», acabou por, em 2003, ingressar no curso de Comunicação Social, mas as voltas da vida levaram-na, de novo, à música. «Quando estava neste curso, acabei por começar a dirigir a tuna universitária e tinha um colega, que era compositor na Escola Superior de Música e que me disse que achava que eu realmente deveria voltar a seguir o caminho musical», explica. Carolina Gaspar assim fez e em 2006 foi fazer provas para entrar nesta escola de música e entrou no curso de Formação Musical e Direção Coral.

Assim que acabou o curso, entrou logo no mundo do trabalho e voltar a Porto de Mós, ficou adiado. «Eu gosto muito de Porto de Mós e de Leiria e um dia até gostava de voltar a trabalhar nessa área geográfica. No entanto, todas as oportunidades acabaram por ir surgindo aqui em Lisboa e por isso fui ficando e neste momento não me imagino a voltar de uma forma mais fixa», confessa a maestrina. Começou logo a trabalhar na área de ensino especializado de música, na Escola de Música Nossa Senhora do Cabo. Desde 2013 que leciona na Creche e Jardim de Infância Traquinauta. Em 2016 começou a trabalhar como professora de Coro na Academia de Música Santa Cecília. É também, desde esse ano, formadora «no serviço educativo» na Fundação Calouste Gulbenkian. Ao longo dos últimos 12 anos de experiência profissional, foi letrista em «canções, contos e teatros musicais» nos quais fez também «produção e direção de vozes». Como já foi dito, é maestrina do Coro Infantil Santo Amaro de Oeiras, e também do Coro Infantil Regina Coeli. Entre outros projetos e conquistas, é atualmente mestranda em direção coral na Universidade do Minho.
Como é que se gere tudo isto? «Não é fácil», admite, salientando no entanto que «não era capaz de abdicar de nenhuma destas áreas». «Eu não conseguia simplesmente ser maestrina ou fazer apenas serviço educativo ou trabalhar apenas com música para a primeira infância, eu gosto mesmo de todas estas valências e são elas que me dão força e energia para fazer sempre mais e melhor», refere Carolina Gaspar. O seu objetivo é «continuar sempre a inovar e a fazer cada vez mais materiais didáticos e atividades lúdicas musicais que realmente tornem as artes experiências artísticas marcantes para as crianças», frisa. A professora tem trabalhado, na sua maioria, com crianças entre os 6 e os 13 anos e é também para esta faixa etária que tem escrito mais obras literárias musicais. Carolina Gaspar garante que aqui encontrou a sua «verdadeira paixão».