Hoje, 11 de julho, o Centro Cultural e Recreativo de Alqueidão da Serra (CCR Alqueidão da Serra) festeja o seu 45º aniversário e O Portomosense evoca essa efeméride em três momentos distintos. Começamos com uma breve resenha da história do clube. Mais tarde, traremos aqui uma entrevista com o atual presidente, António Carvalho, e já para o final do dia daremos a conhecer uma das adeptas do clube. Tudo isto integra o suplemento que o nosso jornal publica nesta edição (já nas bancas) a propósito deste 45º aniversário, e onde há mais para ler sobre o clube do Alqueidão da Serra.

O presidente do clube, António Carvalho, já terminou a elaboração de um livro, que nos próximos meses será lançado, onde procura contar toda a história do CCR Alqueidão da Serra e, por isso, ele melhor que ninguém, está devidamente preparado para nos contar como é que o futebol entrou na terra.

A «primeira bola, explica, foi introduzida no Alqueidão em 1936, veio outra em 1940 e a terceira em 1942», explica. A primeira foi trazida «por um senhor que se chamava Santana, que vinha do Estoril e que veio para o lado do caminho velho, onde se jogava o chinquilho, o que na altura se chamava o jogo da bola», conta. O futebol como o conhecemos hoje ainda não existia, e quem jogava entretinha-se a «pontapear a bola ao ar para ver quem chegava mais alto». Tanto a segunda como a terceira bola foram trazidas, para terras alqueidoenses, «pelo senhor Alfredo, já falecido», que comprou a primeira bola «por 80 escudos ao pelotão de Leiria». «Cada sargento deu 25 tostões, cada soldado deu 10 e o alferes deu 12,5. Quando o pelotão se desmantelou, quem ficou com a guarda da bola foi o senhor Alfredo que depois a trouxe para o Alqueidão», explica. António Carvalho frisa que apesar de hoje «ser normal ter-se 50 bolas, naquela altura uma bola era um acontecimento».

No Alqueidão, nessa altura, em meados de 1945, jogava-se “futebol” «no restolho do trigo e de milho, depois em campos mais ou menos oficiais». Foi por isso que se começou a pensar em ter um campo oficial e a constituir uma equipa. «Comprou-se o espaço onde hoje está implantado o campo da Chã e em 1948 foi constituída a equipa conhecida como a mais antiga do Alqueidão, todos os elementos já faleceram», conta. Nessa altura, embora ainda não fosse numa competição a sério, o Alqueidão já jogava contra equipas de outras localidades e “reza a lenda” «que ficou famoso um jogo em que o Alqueidão terá ganho às Alcanadas por 2-0».

O clube viveu muitos anos desta forma até que se vem a formar oficialmente a 11 de julho de 1975. António Carvalho teve oportunidade de perguntar a um dos 10 fundadores, Vítor Amado, como tinha sido o momento em que este grupo de jogadores e apaixonados por futebol decidiram criar o CCR Alqueidão da Serra: «Há uns anos questionei o Vítor como foi e ele disse-me “Olha, fomos pelo Alqueidão, eu e o Inocêncio [outro dos fundadores] e pelo caminho abaixo íamos metendo dentro do carro toda a gente que aparecesse e dizíamos que íamos assinar a escritura do clube». Assim foi, «de forma espontânea», que nasceu oficialmente o clube, embora já fosse, antes disso uma presença reconhecida na freguesia.

Foram fundadores: Leonel Vieira Catarino; Manuel Carvalho Calvário; Adolfo da Silva Laranjeiro; Inocêncio Vieira Santana; António Alberto Correia dos Santos; Daniel de São José da Cunha Boal; Aurélio Frazão Saragoça; Vítor Manuel Carvalho Amado; Juvelino Correia Batista, já falecido; Carlos Emanuel Amado Vieira da Rosa.