Estamos em ano de Censos, o que quer dizer que entre o passado dia 5 de abril e até ao próximo dia 18, chega à caixa de correio de todos os portugueses um envelope com o código e a senha que permitem, de uma forma virtual, responder às questões colocadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Dulce Custódio é coordenadora municipal dos Censos 2021, o que quer dizer que «serve de ligação entre a cadeia de toda esta operação estatística, os coordenadores de cada freguesia do município e os recenseadores, fazendo parte de toda uma estrutura municipal».

«O INE tem sempre preferência por selecionar pessoas que vivam na zona, desde o delegado municipal até ao recenseador. Todos os recenseadores vão recensear pessoas da sua zona da residência, para ser mais fácil serem reconhecidos, assim as pessoas sentem mais confiança», explica. Depois de selecionados, os recenseadores são divididos pelas localidades de cada freguesia consoante a «proximidade da sua residência». Cada freguesia tem «um coordenador que pode ser o presidente de Junta ou outra pessoa e que serve de apoio ao recenseador», auxiliando nas respostas à população.

No total, são 22 os recenseadores, divididos entre as 10 freguesias, que vão estar a distribuir os envelopes e depois, numa segunda fase, a ajudar «todas as pessoas que precisem de ajuda, ou porque não têm internet ou porque não têm quem as ajude e não conseguem preencher». Outra das opções «será o recenseador combinar com a pessoa que se desloca à Junta de Freguesia e ele estará lá para ajudar», isto nos casos «em que a pessoa não tenha internet ou rede em casa para responder». Uma das notas importantes dadas por Dulce Custódio é que todos os recenseadores «vão ficar do lado de fora» das casas das pessoas, uma das «novidades trazidas pela pandemia». Os recenseadores estarão identificados com um colete do INE e uma credencial, explica a coordenadora, salientando também que foi partilhada «com a GNR e todas as autoridades, a lista dos recenseadores, de forma a haver o mínimo de espaço para burlas e outras coisas menos boas».

Neste processo há ainda mais duas datas a reter: 19 de abril e 3 de maio. O dia 19 de abril servirá «de referência» aquando da resposta ao questionário: «Quando as pessoas estiverem a responder têm de pensar na situação em que se encontravam nesse dia, para que toda a gente do país, quando responder ao inquérito, fale da realidade existente àquela data». As respostas terão de ser dadas até ao dia 3 de maio e apesar do prazo poder ser alargado, a coordenadora municipal insiste que «quanto mais tempo passa desde o dia 19 de abril, mais difícil é responder, por isso o incentivo a que as pessoas respondam o quanto antes». A responsável, que nos últimos censos, há 10 anos, tinha sido recenseadora, não tem dúvidas que a principal diferença para os Censos 2021 é o facto destes serem mais informatizados. Ainda assim, Dulce Custódio recorda que, há uma década, o «distrito de Leiria já tinha sido um dos que mais respostas pela internet tinha dado, quase 50%». Agora a meta que a organização espera alcançar é na casa dos «80% ou mais» e as expetativas são boas: «Se há vantagens do confinamento, uma delas é que as pessoas habituaram-se mais ao online, neste momento, do que falo com as pessoas, estou otimista. Já estão mais habituadas e disponíveis para usar a internet, até em termos de perigo e de saúde, para não haver tantos contactos, as pessoas vão aderir mais». Para ajudar «as mais idosas e com dificuldades», os recenseadores terão «uma aplicação no telemóvel onde as pessoas vão responder diretamente, usando os seus códigos e com o auxílio do recenseador».

A importância dos Censos

Os censos realizam-se de 10 em 10 anos e são, explica Dulce Custódio, «uma operação estatística que difere de todas as outras que são feitas durante o ano», uma vez que, ao invés de se basear «apenas numa amostra», este é um questionário que chega a toda a população sem exceção. «É a única operação estatística em que inquirimos todas as pessoas, em todas as freguesias, em todas as casas, o objetivo é ter uma fotografia do país», salienta. Para que esta fotografia «não fique desfocada», frisa a responsável, «é importante que todas as pessoas respondam com o máximo de realidade». Entre as perguntas colocadas estão, por exemplo «o número de membros do agregado familiar, as idades, as profissões».

Para que servem os resultados destes inquéritos? «São muito importantes, porque às vezes podem ser a diferença entre a pessoa, no sítio onde vive, ter acesso a determinados benefícios ou não», responde Dulce Custódio. «Por exemplo, se soubermos que numa determinada freguesia há uma população muito envelhecida, o que é que isto nos permite e que ferramenta pode dar às freguesias e aos municípios? Condições para poderem investir em melhores estruturas para esse tipo de população», explica. A coordenadora afirma ainda que «a partir destes resultados, as freguesias e municípios percebem quais as necessidades reais da população». Não é só nas estruturas públicas que esta ferramenta pode ser aplicada, defende Dulce Custódio, lembrando que pode ser também usada no «domínio privado».

Os recenseadores

ALQUEIDÃO DA SERRA
Luís Boal
Manuel Pereira

ALVADOS E ALCARIA
Francisco Vieira

ARRIMAL E MENDIGA
Ana Sofia Pires

CALVARIA DE CIMA
Ana Filipa Rodrigues
Marco Baptista

JUNCAL
Elisabete Sousa
Marta Fidalgo
Miguel Guilhermino

MIRA DE AIRE
Maria João Almeida
Tânia Alves
Tomás Boucinho
Vera Jesus

PEDREIRAS
Patrícia Santos
Sónia Vazão

PORTO DE MÓS
André Vala
Catarina Coelho
Eurico Coelho
Margarida Ferreira
Pedro Meneses

SÃO BENTO
Cátia Paulo

SERRO VENTOSO
Maria Ricardina Vieira