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Centro Recreativo Calvariense renasce após mais de duas décadas inativo

11 Abril 2023
Isidro Bento

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Isidro Bento

11 Abr, 2023

Definitivamente, o ano de 2022 é o do renascimento de clubes no concelho de Porto de Mós que há muito estavam inativos. Depois do Centro de Cultura e Recreio de Alcaria (CCRA) ter retomado, em pleno, a atividade em 2022 (embora a reativação oficial tivesse acontecido em 2021), foi também no ano passado que renasceu o Centro Recreativo Calvariense, da Calvaria de Cima (agora designado, por imposição legal, Associação Centro Recreativo Calvariense (ACRC)). Facto curioso, ambos haviam cessado a atividade na mesma época: o primeiro há cerca de 20 anos, o segundo há 23.

Sem procurar muito, encontraríamos outros pontos em comum, mas depois de há dois meses termos apresentado o projeto do renovado CCRA, hoje é tempo de dar destaque ao da ACRC. E porque estamos a falar de curiosidades podemos (re)começar com uma: Jorge Gomes, o atual presidente da direção da ACRC, foi uma das pessoas que integraram a última equipa diretiva e a comissão administrativa que se lhe seguiu antes do cerrar das portas. O dirigente associativo não está, contudo, sozinho, há outros elementos dos órgãos sociais que estiveram na equipa de há duas décadas.

Curiosidades à parte, uma coisa é certa: o atual grupo é constituído, na sua maioria, por pessoas que já não acompanharam essa fase, algumas por ainda não serem nascidas (ou não terem idade suficiente), outras, por na altura ainda não residirem na Calvaria de Cima. Problemas com isso? Absolutamente nenhuns, garantem Jorge Gomes e a vice-presidente, Olga Santos. A história do clube (que teve os seus primeiros estatutos em 1976 mas que já existiria nos anos 1950), irá continuar a ser honrada e respeitada, asseguram. E com maior ou menor experiência na “casa” e no associativismo em geral, todos são válidos e necessários para o êxito do projeto, frisam.

«Estou muito agradado e contente com a equipa que conseguimos arranjar porque tem múltiplas valências que se complementam e é assim que o verdadeiro trabalho de equipa é feito. Temos todas as condições para que as coisas deem certo», diz o responsável. No entanto, e convicto de que nada se consegue sozinho, deixa um apelo aos moradores da Calvaria de Cima: «Participem, sejam proativos, façam-nos críticas, deem-nos sugestões, ajudem-nos na organização das atividades mas também como participantes. Isto é tudo muito bonito mas só conseguiremos fazer alguma coisa se tivermos a comunidade connosco. Tal como não há direção se só houver presidente, também não há clube se só houver a direção. Isto tem de ser um trabalho global e se calhar o mais difícil, o chegar-se à frente para reerguer o clube, está feito, agora o mais fácil será participarem».

Edifício sede precisa de obras de fundo

E quais são os planos da direção para este recomeço? Bem, antes de mais, concluir o processo de legalização, apresentar novos estatutos (os últimos ditavam, por exemplo, que uma senhora casada só podia tornar-se sócia com a autorização do marido) e depois decidir o futuro da sede. O tema é sensível mas Jorge Gomes diz que a discussão tem mesmo de ser feita. Ainda não se sabe quando, mas os sócios serão chamados a pronunciarem-se. O edifício, depois de tantos anos fechado, necessita de uma intervenção e o facto de estar «situado numa rua de sentido único e apertada» condiciona à partida o que ali se poderá fazer em termos de atividades. As opiniões dividem-se e o presidente explica que há quem defenda uma intervenção no atual espaço e os que acreditam que o melhor será vendê-lo. Para já, a direção não tem uma posição sobre o assunto mas garante que a irá tomar depois de ter uma estimativa real de «quanto é que poderão custar as obras» mas, também após apurar o «valor de mercado do edifício», para que ambas as hipóteses sejam equacionadas.

Entretanto, e porque o dia-a-dia não é feito, apenas, de decisões de fundo, irá ser criada uma secção de BTT que deverá começar por organizar alguns passeios. As caminhadas estão também nos planos e como já há na freguesia um grupo que se dedica a essa atividade, a hipótese de levar a cabo uma ou duas em parceria, é bem vista pelos responsáveis da ACRC. A coletividade poderá também vir a acolher um grupo dedicado aos jogos de tabuleiro. A médio prazo, é ambição «ter algumas atividades federadas», embora não haja ainda uma ideia concreta de quais poderão ser.

A ACRC, nesta sua nova vida, tem como um dos seus principais objetivos funcionar como elemento aglutinador e ponto de encontro de toda a população ajudando a ultrapassar aquilo que Jorge Gomes identifica como um paradoxo: «A Calvaria foi a única freguesia do concelho que aumentou em termos de população, no entanto, para muitos, quase que funciona como dormitório por não haver uma única infraestrutura pública onde as pessoas se possam encontrar e conviver». A residir há, apenas, seis anos na localidade, Olga Santos sentia precisamente isso e foi a pensar em fazer algo para mudar a situação que procurou Jorge Gomes e lhe perguntou se não estaria interessado em reativar o velho centro recreativo. O agora presidente confessou-lhe que acalentava o mesmo desejo e a partir daí já se sabe o resto da história. O grupo foi crescendo, os antigos sócios expressaram-lhes o seu apoio e apesar desta aventura ainda mal ter começado, todos os envolvidos acreditam no projeto e no seu potencial. A ACRC quer abrir portas à comunidade e ajudar a dinamizá-la, ocupando de forma sadia várias gerações de gente que nasceu na terra mas, também, dos muitos que ali se têm fixado e que além de uma casa querem ter no lugar que escolheram para morar, amigos e toda a vivência social, cultural, recreativa e desportiva que marca o nosso tempo.

Foto | Isidro Bento

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