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Chanfana novamente em destaque em São Bento

10 Novembro 2022
O Portomosense

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O Portomosense

10 Nov, 2022

O Festival Gastronómico da Chanfana e da Fritada, em São Bento, regressou à aldeia, sem o take-away exigido pela pandemia, em novas instalações e com uma data extra: a noite de sábado, dia 5, quando cerca de 30 pessoas se sentaram à mesa nesta 16.ª edição do certame.

Esta foi a primeira vez em 17 anos (não houve edição em 2020) que o certame não se cingiu ao domingo – o habitual Festival de Sopas que antecedia o festival gastronómico foi adiado para 28 de janeiro, quando o Clube Desportivo de São Bento (CDSB), que organiza os eventos, celebrar o seu 37.º aniversário, e houve assim espaço para repetir o já habitual almoço numa versão vespertina. Almoço esse que, com 100 inscrições, mais que duplicou as presenças de sábado. Segundo o presidente do CDSB, Márcio Rafael, «muitas pessoas vão à missa e depois da missa ficam» para almoçar, o que obrigou a organização a «dobrar as mesas». E, embora o presidente reconheça que uma grande parte dos presentes pertence a uma faixa etária mais velha, entre os 40 e os 60 anos, também os jovens se juntaram ao convívio. Caso de Marinho Rodrigues, de 30 anos e natural das Fontainhas, que, junto de amigos e colegas da sua geração, revelou a O Portomosense que é um visitante habitual do festival, pelo «gosto de participar» e «de ajudar também». Essa ajuda, aliada ao voluntariado de quem serve o CDSB, tem-se revelado fundamental.

«A nossa juventude tem colaborado com mantermos a casa aberta», explica Márcio Rafael. Segundo o presidente, o grupo tem sempre cerca de «vinte pessoas a ajudar», aos quais se juntam, neste evento, algumas outras: «As nossas mulheres e algumas pessoas que fazem sempre parte da nossa equipa quando temos este tipo de eventos. Podemos sempre contar com elas para estarem lá no staff, na cozinha», explicou.

Este ano, pela primeira vez, o festival realizou-se nas instalações do clube, abandonando o Salão Paroquial no centro da aldeia. As obras decorreram durante a pandemia, com a montagem de uma cozinha industrial, e parecem ser do agrado dos populares. Clara Rosa, do Casal Velho, considera o novo espaço «mais acolhedor, mais reservado, dá para haver um bocadinho menos de confusão». A sambentonense, que jantou com a família, considera que é a «carne de qualidade e o cozinheiro» que fazem «toda a diferença».

Objetivo é “tentar manter isto vivo”

Foi o próprio Márcio Rafael que recebeu a carne («à volta de 100 quilogramas de carne de chanfana e 40 de fritada») e que a cortou «à sua maneira», antes de ser temperada e posta a marinar durante, pelo menos, 24 horas. As cabras foram compradas diretamente aos criadores das aldeias próximas a São Bento, em pleno Planalto de Santo António. No entanto, embora esta aquisição permita poupar algum dinheiro, o valor do quilo de carne, revela o presidente, «está no dobro», o que se reflete «no preço final». «Dantes tínhamos preços entre os 10 e os 12 euros por pessoa», adianta Márcio Rafael. Hoje em dia, o custo do jantar ou do almoço cifra-se nos 15 euros, também ele vítima da inflação.

No final, no que toca à carne, pouco sobrou (as batatas já cortadas foram entregues pela organização à CASSAC – Centro de Apoio Social Serra D`Aire e Candeeiros). E se no sábado foram maioritariamente os sambentonenses a participar, no domingo o festival contou também com grupos «de fora». «Temos pessoas que vêm da zona de Santarém, de Leiria», revela Márcio Rafael, «que têm o “gosto” na nossa página e assim que a gente publica dizem: “nós vamos estar”». E «vêm porque gostam mesmo da chanfana», garante. Clara Rosa partilha essa opinião: «Não é um artigo que se coma em muito sítio, isto é regional, aqui da terra. Nós temos aqui muita outra coisa a nível do turismo, e acho que acaba uma coisa por trazer à outra». Sentado ao seu lado, o pai de Clara Rosa, Armindo Cordeiro, acrescenta que «muita gente tem a imagem que isto é só serra, só serra, mas há aqui muita coisa boa, muita coisa para ver». O presidente do clube concorda, daí também dar “luz verde” à continuidade do festival em 2023. É um evento importante para a Cultura, considera Márcio Rafael: «É uma gastronomia que nós temos no nosso concelho, na cabra, no borrego, nos animais da serra. Manter isto vivo é o nosso objetivo».

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