A Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria (CIMRL) aprovou um Plano Estratégico de Recuperação e Transformação da Região de Leiria, na sequência da depressão Kristin. O documento inclui, entre outras medidas, a criação de um Fundo Intermunicipal de Emergência Social.
Num comunicado enviado a O Portomosense, a CIMRL afirma que a região «não pode limitar-se a repor o que perdeu», defendendo que é necessário recuperar rapidamente, reforçar a resiliência estrutural e aproveitar este momento para modernizar o território e fortalecer o ecossistema económico. Citado no comunicado, o presidente da CIMRL, Jorge Vala, sublinha que «o que está em causa não é apenas reconstruir o que foi danificado», mas também «proteger o emprego, preservar a base industrial exportadora e preparar a região para os desafios climáticos e económicos das próximas décadas».
O plano organiza-se em três fases: resposta urgente, reconstrução com resiliência e transformação estrutural.
Na fase de resposta urgente e estabilização, com horizonte temporal de seis meses, «o foco está na proteção das famílias, na manutenção do emprego e na garantia de mobilidade». Entre as medidas previstas estão a execução célere do apoio de 10 mil euros à habitação própria, reforço dos mecanismos sociais para agregados vulneráveis, a criação do Fundo Intermunicipal de Emergência Social, a constituição de um Gabinete Regional de Recuperação Empresarial e o lançamento do programa Empresa Aberta, com apoio até 30 mil euros para empresas que encerraram temporariamente. A CIMRL volta também a defender a prorrogação da isenção de portagens nas autoestradas A8 e A19 «enquanto as vias alternativas permanecerem condicionadas».
Na segunda fase, de reconstrução com resiliência, entre seis meses e dois anos, o plano prevê reforço estrutural de infraestruturas, modernização de sistemas de drenagem, defesa costeira, apoio à agricultura e floresta e o lançamento do programa Indústria Resiliente Região de Leiria, focado na digitalização, inovação e redundância energética.
A terceira fase, de transformação estrutural, aponta para a consolidação de uma região mais preparada e competitiva, com uma Estratégia Regional de Adaptação Climática, comunidades de energia renovável, reforço das comunicações e da redundância energética e a consolidação do projeto Universidade de Leiria e Oeste.
O documento propõe ainda a criação de um grupo focal permanente, envolvendo especialistas em gestão e ordenamento do território, representantes do sistema científico e tecnológico, associações empresariais, empresas estratégicas, municípios e entidades intermunicipais. Segundo a CIMRL, este grupo deverá apoiar tecnicamente a Estrutura de Missão na avaliação contínua e no ajustamento das medidas previstas pelo Governo, garantindo que a recuperação se baseia em conhecimento local, evidência científica e experiência empresarial.
No comunicado, o presidente da CIMRL, Jorge Vala, defende que é necessário «garantir que as medidas nacionais são ajustadas à realidade concreta do território», considerando que «a recuperação não pode ser desenhada à distância». Sobre o Programa Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR), sustenta que «deve ser desenhado a partir de Leiria e do seu território, e não apenas para Leiria», defendendo que as soluções são mais eficazes quando partem do conhecimento do terreno, das empresas e das instituições locais.
Foto | Isidro Bento



