Se alguma vez alguém lhe dissesse que queria dar a volta a Portugal de motorizada em autonomia, provavelmente pensaria que essa pessoa estaria a delirar e que essa ideia seria fruto de um devaneio mas é mesmo isso que cinco jovens portomosenses planeiam fazer já este mês. Ao grupo composto pelos conhecidos “Bigodes do Deserto”, André Sousa e João Rosa, juntaram-se mais três amigos: Nuno Vendeiro, Rui Rodrigues e Ricardo Filipe que irão partir de Porto de Mós, no dia 15 de agosto, “montados” em cinco motorizadas rumo a Santa Maria da Feira, naquela que é a primeira de um total de 11 etapas do percurso que totalizam 1 550 quilómetros. «O irmos à Nacional 2 é pelo interesse real que há pela estrada e o desafio acrescido de fazermos a Volta», explica Rui Rodrigues.

Apesar de terem uma «série de coisas planeadas» para o verão, tudo havia de ficar sem efeito devido à pandemia. De forma a colmatar a lacuna deixada pela ausência de planos, Nuno Vendeiro, «o mais fascinado pelas motas», acabou por «atazanar a cabeça» aos amigos para uma aventura. Daí a pensarem em dar a volta a Portugal foi um pequeno passo. E todos concordaram, mesmo sem nenhum ter mota. «Começámos a pensar em definir etapas para conseguirmos arranjar alojamento e pouparmos algum dinheiro», conta André Sousa. Para isso, fizeram uma publicação na página de Facebook dos “Bigodes do Deserto”, onde divulgaram a sua aventura. «Já temos casa para cinco etapas, algumas são pessoas que não conhecemos mas que quando viram a publicação ofereceram-nos guarida», explica.

Mesmo contra todas as vozes de mau agouro, desistir não é opção. «É mais para contrariar o meu pai porque ele acredita que não sou capaz e que as motas não vão chegar ao fim», confessa, entre risos, Ricardo Filipe. Ciente das adversidades que possam surgir nesta experiência, o grupo de rapazes tem estado nas últimas semanas a preparar as suas «meninas» para a derradeira aventura. «Desmanchámos tudo e voltámos a montar com peças novas», adianta André Sousa. «Os motores foram reparados. Numa viagem com tantos dias e quilómetros, têm mais tendência a entrar em sobrecarga e partir alguma peça do motor e isso não é uma coisa que consigamos arranjar na borda da estrada», explica Ricardo Filipe.

Apesar de admitirem que são criticados por não quererem levar nenhuma carrinha de apoio, o grupo de aventureiros vai munido de acessórios, considerados essenciais para uma viagem como esta. «Vamos levar algumas peças simples que no caminho nos possam dar jeito, como cabos de aço e câmaras de ar», refere Nuno Vendeiro.

Os cinco rapazes prevêem que a chegada a Porto de Mós seja no dia 26 de agosto, contudo, todos tiraram férias até dia 30, «para o caso de descambar alguma coisa», confessa André Sousa. Até lá, os mais curiosos podem ir acompanhando as peripécias deste grupo na página de Facebook dos “Bigodes do Deserto”.