A Pousada da Juventude de Alvados foi edificada em 2007 por «alguém que achou que ter ali uma pousada era importante, com muito descrédito de muitas pessoas», diz-nos Joana Mendes, a responsável. Doze anos depois, a pousada regista cerca de cinco mil dormidas por ano e tem público de todas as partes do mundo, entre as quais Espanha, França, Estados Unidos, América do Sul, Polónia ou Rússia. Joana Mendes que diz que acreditou «sempre no potencial» da zona, afirma que «25% do público é português e 75% estrangeiro».

«Temos dois segmentos de mercado: os grupos escolares, desportivos e recreativos» e «os individuais», que podem ser famílias, casais ou grupos de amigos, explica a responsável. A afluência é variável ao longo do ano, sendo que «o ponto alto é maio, por causa das peregrinações [de Fátima]», mas também abril é um «mês muito forte», com a visita de grupos escolares e desportivos. Julho, agosto e setembro destacam-se pela realização de campos de férias, que inicialmente «iam para a praia», mas agora já «há uma escolha muito grande da zona de montanha». «O que mais faz oscilar a vinda de pessoas? Essencialmente os eventos do concelho. Sempre que há eventos vêm pessoas», afirma, acrescentando que sempre que pode, envia informação sobre essas atividades para constarem do site das Pousadas da Juventude.

Quando foi criada, a pousada tinha 53 camas, «o tamanho de um autocarro». Agora, entre quartos duplos com casa de banho, quartos de beliche que partilham casa de banho «e que podem ser alugados à cama ou todo o quarto», e quartos familiares com casa de banho, a pousada tem 49 camas. A redução deve-se à alteração da tipologia de quartos: «Tínhamos muitos quartos de beliche e as pessoas não os procuram assim tanto», esclarece. São estas e outras adaptações ao mercado que fazem com que a pousada de Alvados tenha «um nível de satisfação do cliente bastante elevado», mantendo-a, nesse parâmetro, nos três primeiros lugares das 42 que há em todo o país.

A atratividade desta pousada é, para Joana Mendes, fácil de explicar: está situada «numa zona estratégica», perto «de alguns patrimónios da UNESCO, nomeadamente o Mosteiro da Batalha, Mosteiro de Alcobaça e Convento de Cristo, já em Tomar. Atualmente também estão muito na moda as ondas da Nazaré, que têm chamado imensa gente. Não estamos muito longe, para quem vem do outro lado do mundo estamos pertinho. Além disso, atualmente há muita procura de peregrinação, não só religiosa mas também espiritual e há imensa gente a fazer os caminhos de Santiago e de Fátima». Havendo apenas o senão de que «quem não tem carro, tem muito poucos transportes», quem fica hospedado em Alvados acaba por descobrir toda a zona envolvente: «Há as grutas para quem gosta de natureza, vão visitar o Centro de Ciência Viva do Alviela [em Alcanena], fazem passeios pedestres, de bicicleta, parapente, vão muito à Pia do Urso [na Batalha], ao Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota, numa vertente histórica também ao castelo, se estão em Porto de Mós visitam o jardim, que está muito bonito. Se quiserem ir um bocadinho mais longe vão à Batalha, a Alcobaça, à Nazaré, mas as pessoas procuram muito a natureza», explica a responsável, que está à frente da pousada desde a sua abertura.

Grupos vêm uma vez… e, mais tarde, voltam

«O alojamento das pousadas da juventude tem como objetivo a mobilidade juvenil e o intercâmbio jovem», explica Joana Mendes. Será que isso se tem conseguido em Alvados? A julgar pelos dois testemunhos que a seguir contamos, diríamos que sim.

Rui Oliveira é o responsável pela escola de dança Sensual Connection by Rui Oliveira, que organizou a 24 e 25 de agosto último o Sensual Connection Wekend Experience, «um fim de semana de experiências, sendo uma delas a dança», mas «não era um evento de dança, era mais do que isso» e entre as atividades estiveram «meditação, aulas de ioga, workshops de nutrição macrobiótica e sobremesa saudável, workshops de dança, um passeio pedestre, visita às grutas de Alvados e uma festa», refere.

«A escolha da Pousada teve a ver com o cariz de o evento ser muito de experienciar. Então o objetivo era arranjar um espaço que tivesse uma dinâmica mais jovem, mais de experimentação», explica Rui Oliveira, dizendo que a escolha pela de Alvados foi motivada pela «abertura por parte da Joana [Mendes] e de todo o staff para ocuparmos toda a pousada, não havia outros hóspedes, não havia problema de haver ruído ou de utilizarmos o espaço de maneiras diferentes», e essa «flexibilidade é difícil encontrar num hotel ou até noutras pousadas», destacou. Com alunos com idades compreendidas entre os 11 e os 70 anos, Rui Oliveira faz um «balanço muito positivo» desta “parceria” e garante que a repetição está apenas dependente do tipo de atividades que pretenda fazer noutros eventos deste tipo: «Se quisermos ter atividades na praia, por exemplo, Alvados já fica um pouco deslocado».

«A nível da infraestrutura, acho que a pousada tem ainda potencial para mais», começou por dizer, particularizando de seguida: «Tem um terraço que tem muito potencial, podendo ser parcialmente coberto ou com uma cobertura amovível e que pode ser um espaço de esplanada lindíssimo», afirma. «No entanto, a nível de condições, fiquei 100% satisfeito e o staff foi incansável, além do que lhe competia fazer, ajudou na organização do evento, em toda a gestão», salienta.

Abraão Costa é um dos responsáveis por campos de férias da Plataforma de Animadores Socioeducativos e Culturais, realizados na pousada de Alvados por três vezes. Estes «GeoCamps» são «atividades de formação e desporto de natureza que assentam em zonas de geoatividade e geossítios de especial relevância, como é o caso das Serras de Aire e Candeeiros» e a escolha de Alvados «tem a ver com o potencial geoturístico do próprio sítio», explica a O Portomosense. A instituição, com sede em Vila Nova de Famalicão, mas espalhada por cinco países, esteve em Alvados pela primeira vez em 2008 e quando vem não fica «só pela pousada»: «Todo o potencial de geoavetura que nos é disponibilizado no Parque, nós utilizamos», fruto de «uma logística montada com várias carrinhas que permite um raio de 30 a 40 quilómetros». A pousada foi, no fundo, «a base de operações, onde almoçámos, onde dormimos e a partir daí, fizemos o resto dos campos de formação e aventura», conta Abraão Costa.

Tal como Rui Oliveira, aponta o sentirem-se «bem recebidos» como ponto forte da pousada, que «tem sido muito disponível». «O único senão é a falta de uma sala de atividades», ainda que, «muitas vezes, disponibilizem uma sala comum, de convívio» para esse efeito. «De uma maneira geral, a resposta é muito positiva, não só a nível de hospitalidade, mas também a nível de disponibilidade para nos apoiar naquilo que é necessário», remata.