Ao mesmo tempo que se observa um crescimento do número de casos de infeção por COVID-19, verifica-se também um aumento da quantidade de pessoas, na sua maioria anónimas, que sem esperar nada em troca, se prontificam para ajudar o próximo. E foi isso mesmo que Maria Gabriel, de 20 anos, decidiu fazer. Não fosse o facto do evoluir da pandemia ter obrigado à interrupção de várias atividades e hoje, a estudante do 3.º ano da licenciatura em Terapia da Fala, da Universidade de Aveiro, estaria a estagiar.

À semelhança de milhares de jovens, também ela se viu obrigada a regressar a casa, no Alqueidão da Serra, depois de decretado o confinamento obrigatório. Mas a «grande disponibilidade», assim como a necessidade de «ocupar o tempo» fizeram-na não baixar os braços. Muito pelo contrário. Esses dois fatores foram o gatilho para que decidisse criar a iniciativa Mãos de Esperança. «Um dos principais objetivos foi sentir-me útil. É um momento um bocado complicado e, por isso, acho que todos devíamos dar um bocadinho daquilo que temos. E depois foi juntar esta motivação, de fazer alguma coisa para proteger e ajudar os outros, a uma grande paixão que tenho, que é a costura», conta.
Por necessidade, a ideia de confecionar máscaras de proteção já andava a fervilhar na mente de Maria Gabriel há bastante tempo, no entanto, foi apenas no dia em que saíram as novas diretrizes da Direção-Geral da Saúde sobre a recomendação de utilização de máscaras sociais, que esta tomou a iniciativa de lançar o repto no Facebook. «Houve logo quatro pessoas que se voluntariaram e que têm sido uma ajuda fundamental. A Junta de Freguesia também se disponibilizou de imediato para ajudar», afirma.

A vontade de ajudar o próximo, a solidariedade e a perseverança deste grupo já trouxe frutos e a verdade é que, em menos de um mês já foram entregues «cerca de 200 máscaras» à Junta de Freguesia do Alqueidão da Serra. E é precisamente nesse espaço que qualquer pessoa, residente na freguesia, pode proceder ao seu levantamento. No entanto, Maria Gabriel adianta que nesta fase inicial existe a nuance de se dar «prioridade a pessoas com idade igual ou superior a 70 anos» e a «pessoas que pertençam aos grupos de risco». Mas o objetivo é conseguir fazer chegar as máscaras de proteção ao maior número de pessoas possível e para isso, a jovem deixa o apelo: «Acho que se podia replicar esta iniciativa a outras freguesias do concelho e assim, conseguirmos proteger o máximo de pessoas», sublinha.

O facto de as máscaras serem confecionadas de forma manual levou Maria Gabriel a juntar ao saco onde a mesma vai, um papel onde constam algumas recomendações que devem ser tidas em conta, na hora da sua utilização. «As máscaras têm que ser lavadas antes da primeira utilização. A utilização não deve exceder as duas horas e a máscara tem que ser lavada depois disso, de preferência com sabão azul e branco e água quente. De seguida, deve ser passada a ferro porque a temperatura ajuda a eliminar alguma bactéria que possa existir», explica.