«Uma criança aventureira e que não tem medo de nada». É assim que Mickael Póvoa, natural de Arrimal, começa por descrever o filho, Edgar Póvoa, que aos três anos se começou a apaixonar por motas e que, agora, com seis anos, vai correr pela primeira vez no Campeonato Nacional de Motocross. Em conversa com O Portomosense, o pai admite ter sido «o culpado inicial», mas que rapidamente o filho se começou também a interessar. «A moto 4 dos chineses» foi a primeira mota oferecida por Mickael Póvoa, que acabou por despoletar a curiosidade e o gosto do pequeno Edgar pelo desporto que hoje pratica. Treinar motocross faz atualmente parte da rotina desta criança que todos os fins de semana vai para a pista com o pai e mais alguns amigos.

Mickael Póvoa garante que «a evolução de Edgar tem sido constante», sobretudo, a partir do momento em que fez um investimento maior e adquiriu para o filho «a mota com que os miúdos correm, que é uma KTM». Para o pai de Edgar, suportar os custos deste desporto é o maior obstáculo que aponta, essencialmente, pela dificuldade em adquirir patrocínios, «por se tratar de motocross e não de futebol», acredita. Atualmente, Mickael Póvoa tem apenas um patrocinador para o filho, o que ajuda a minimizar as despesas, no entanto e por se tratar de «um desporto caríssimo», não é suficiente para diminuir significativamente os custos que lhe estão associados.

Ainda assim, está empenhado no sucesso do filho, dentro da modalidade e vai trabalhando para que o pequeno Edgar consiga chegar longe. O Campeonato Nacional de Motocross é mais um passo para o Edgar, que aos seis anos já soma conquistas na modalidade. Desde os saltos, que já passam «os dois metros do nível do chão», ao segundo lugar «na corrida pirata de Setúbal a 5 de dezembro de 2021». Mickael Póvoa mostra-se orgulhoso dos resultados do filho e garante continuar a acompanhá-lo nestas aventuras.

A semana de Edgar é preenchida, mas ele já sabe ao que deve dar prioridade. Em conjunto com o pai, elaborou uma pirâmide, na qual em primeiro lugar está a escola, em segundo o motocross e por fim as atividades do futebol, de forma a que o Edgar percebesse a importância de cada um, garante Mickael Póvoa. «À sexta-feira, por exemplo, é dia de fazer os trabalhos de casa, para ao fim de semana estar livre para treinar motocross». De acordo com o pai, estes treinos são feitos, na pista de motocross que existe em Pataias, também designada por Super Arena, e na maioria das vezes na companhia de um amigo do Edgar, cujo pai em tempos foi piloto e, por isso, assume o cargo de treinador de ambos. O pai do pequeno motard admite que o Edgar dificilmente ouve as suas dicas, por isso, acredita ser importante ter alguém, mais experiente e profissional na área para o ensinar.

Edgar diz sentir-se feliz em cima da mota e o pai quer continuar a acompanhar esta felicidade de perto. A mãe, por outro lado tem mais receios e Mickael Póvoa garante que quando ela os acompanha nas corridas de motocross, «desmaia 10 vezes por dia…». A afirmação é dita em tom de brincadeira, mas a preocupação é séria quando as quedas acontecem. Mickael Póvoa refere que existem quedas feias, mas que são amenizadas pelas imensas proteções que utilizam. Ainda assim, refere, «para as mães» ver estas quedas torna-se mais penoso.

Apesar dos obstáculos que se vão colocando, Mickael Póvoa mostra-se decidido e empenhado em acompanhar a evolução do filho e acredita que o campeonato nacional, «ainda sem calendário definido», possa abrir mais portas ao pequeno Edgar.

Revisão | Catarina Correia Martins