Tiveram início no passado dia 2 de agosto as operações de demolição do chamado hotel de Porto de Mós. Mais de 16 anos depois de ter sido iniciada a sua construção e nunca, até hoje, ter sido concluída, o edifício está agora a ser demolido para que no mesmo local possa surgir num futuro próximo outra construção, a cargo do mesmo promotor, e com o mesmo fim: dotar a vila de Porto de Mós de um hotel.

Este é, assim, um novo episódio de uma saga iniciada há cerca de 17 anos quando foi aprovada em Assembleia Municipal a suspensão parcial do PDM para permitir que na zona na Várzea, em Porto de Mós, nascesse um edifício destinado a hotel. Dado o primeiro passo, se não com o aplauso geral, com o da maioria, aos poucos a obra foi avançando mas cedo se percebeu que o principal objetivo seria falhado: era suposto o hotel ser inaugurado a tempo do Euro 2004 e beneficiar, assim, do facto de Leiria ser uma das cidades anfitriãs dessa importante prova internacional em termos de futebol, o que fazia prever boas taxas de ocupação nessa altura, mas nada disso aconteceu.

Pior, a infraestrutura hoteleira, não só, não ficou pronta, para o Euro 2004, como mais de 16 anos depois, desta só havia até agora as paredes e mesmo assim incompletas. Pelo meio, o país e a região receberam eventos de grande dimensão, como são exemplo as visitas papais a Fátima em 2010 e em 2017, mas por Porto de Mós o hotel continuou a não passar de uma miragem ou, a partir de certa altura, algo visto pela maioria dos portomosenses, não como algo de bom, uma mais-valia para a terra, mas um verdadeiro pesadelo, um elemento fantasmagórico a assombrar umas das entradas principais da vila sede de concelho. Durante este período vários foram as notícias publicadas neste jornal a dar conta dos avanços e recuos deste projeto.

Após todos estes anos em que o “hotel” não só não foi construído, como mudou de proprietário diversas vezes, o atual promotor concluiu que, afinal, para poder levar a cabo o projeto que tem em mãos, a estrutura existente não tem as condições necessárias em termos de segurança, sendo, por isso, necessário deitar abaixo para voltar a construir de raiz.

Conseguida a respetiva licença de demolição, os moradores dos prédios em volta começaram a ser contactados pela empresa Dolinas, Lda, a proprietária, para informar que o edifício seria demolido e que «para salvaguardar os interesses de todos os condóminos e também do próprio condomínio (espaços comuns) e ao mesmo todo o edifício», uma empresa especializada iria «proceder à peritagem de todas as frações e espaços que se encontram perto do prédio (…) com o objetivo de efetuar o levantamento de eventuais patologias que possam existir quer no interior dos apartamentos e lojas, quer no exterior dos edifícios salvaguardando assim o bem de todos no caso de agravamento de alguma patologia causada pela demolição e/ou construção», trabalho que estará já concluído.

Depois de tantos anos à espera por uma unidade hoteleira que nunca mais tem fim, em termos de construção, há muito quem se interrogue se desta vez a intenção anunciada de construir novo edifício com o mesmo fim será mesmo para levar a sério. De acordo com uma das nossas fontes, que tem acompanhado o processo de perto, «o promotor parece genuinamente interessado em avançar com o projeto e conta, inclusive, com o apoio de fundos comunitários, portanto, não há razões para que isso não aconteça, até porque sendo dinheiros do “Portugal 2020” a obra terá de estar pronta em 2023». Ao que o nosso jornal apurou, o investimento previsto é de mais de 11 milhões de euros. A manter-se a última versão conhecida do projeto, o hotel contará com 85 quartos (74 quartos duplos e 11 suites). Terá, entre outras, uma piscina com cerca de 100 metros quadrados. A unidade será muito influenciada pela temática do turismo e desportos de natureza e contará com uma torre de escalada indoor (no interior) que é anunciada como «a maior do género a nível da Europa».