Comprometimento: a arte de se responsabilizar

22 Maio 2025

“Quando foi a última vez em que escolhi comprometer-me genuinamente com algo, e qual foi o resultado?”

Por vezes, dou por mim a refletir sobre as escolhas que fui fazendo ao longo da vida, nas diversas áreas, e sobre o comportamento de comprometimento que sempre adotei, relativamente a todos os desafios e responsabilidades que assumi. Voltei a pensar nisso durante o fim-de-semana passado, por ocasião das eleições legislativas. Lá fui eu votar, honrando o compromisso que tenho comigo mesma, de não entregar as minhas escolhas em mãos alheias, e tendo em mente que o direito ao voto, para as mulheres em geral, só ficou consagrado após a revolução de Abril de 1974. Ao final do dia, deixou-me contente o facto de a abstenção não ter saído a ganhar.

«A forma comprometimento pode ser [derivação masculino singular de comprometer] ou [nome masculino]», pode ler-se no dicionário Priberam, que o define como «ato de comprometer-se», «responsabilidade de pessoa comprometida» e, em sentido figurado, «vergonha», «espiga», «entalação».

Sempre que assumi um compromisso, obriguei-me a cumpri-lo. Assumi a responsabilidade, e empenhei-me na concretização. O meu comprometimento traduziu-se numa profunda responsabilidade, num grande envolvimento, numa total entrega e no respeito pelos compromissos que assumi comigo mesma. Foi algo maior, que fez a diferença, principalmente nos momentos em que estava desanimada, mas precisava de continuar. O meu comprometimento ajudou-me a ressignificar momentos menos bons, transformando-os em experiências valiosas, e em aprendizagens para a vida.
O facto de sempre ter honrado os meus compromissos, não me impediu de ter de lidar com a falta de comprometimento alheia, várias vezes, ao longo da minha jornada. No entanto, é algo que dispenso e, por isso, não admito reincidências.

Na minha modesta opinião, sempre que nos comprometemos com algo e não cumprimos, antes de falharmos com os outros, estamos a falhar connosco.

Acredito que o mundo seria um lugar melhor se todos fossemos refletindo e nos fossemos perguntando “Quando foi a última vez em que escolhi comprometer-me genuinamente com algo, e qual foi o resultado?”.

Afinal, ainda que tenhamos o solo mais fértil e a melhor das sementes, não teremos frutos se não nos dedicarmos ao cultivo. Nesse caso, se for para mais atalhar ou desistir a meio, mais vale cimentar o terreno. Importa viver o momento presente, o aqui e o agora, com os olhos postos no futuro, porque se deixarmos para amanhã o que podemos fazer ou viver hoje, corremos o risco de perder a oportunidade. Mas também com responsabilidade.