Os municípios da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria (CIMRL) estão unidos na luta por mais apoios para os transportes públicos. «Face à necessidade de financiar a expansão da oferta dos transportes públicos da região a preços acessíveis para o utilizador, a CIMRL exige o reforço das verbas do PART – Programa de Apoio à Redução Tarifária dos Transportes Públicos», é explicado em nota de imprensa enviada à nossa redação. O programa PART «tem um financiamento base este ano de 138,6 milhões de euros, menos 60 milhões do que em 2021, segundo a proposta de OE2022, verba consignada do Fundo Ambiental e que além de estar afeta em mais de 80% apenas para as áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, será valor insuficiente para assegurar o reforço da oferta de transportes públicos e expandir o projeto intermunicipal de transporte flexível», pode ler-se ainda na nota da CIMRL. O objetivo do PART é financiar as autoridades de transporte «para a implementação e desenvolvimento de medidas de apoio à redução tarifária nos sistemas de transporte público coletivo de passageiros, visando reduzir a fatura das famílias com a mobilidade, bem como aumentar a oferta de serviço e a expansão da rede».

A CIMRL revelou ainda que no ano passado a despesa nesta área foi de «2,8 milhões de euros» e as transferências vindas do «Fundo Ambiental foram de 2,3 milhões de euros, ficando a cargo da CIM a despesa de meio milhão de euros». «Fazendo uma gestão prudente e racional, num esforço conjunto com os Municípios e os operadores no sentido de ajustar a oferta às necessidades de mobilidade da população, reduzindo ao mínimo o desperdício de recursos», é acrescentado no comunicado.

Os autarcas preveem um cenário complicado para 2022: «Um défice impossível de gerir, ou seja, num cenário otimista, a estimativa de despesa da CIM com o financiamento dos transportes públicos ronda os 3 milhões de euros. O montante total de transferências previstas pelo Fundo Ambiental é de apenas 1,8 milhões de euros, apenas 60% do valor necessário à manutenção do serviço público de transportes». Para a CIMRL, o reforço mínimo necessário é de «mais um milhão de euros» tanto no âmbito do PART como de outros programas de financiamento «à oferta de transporte coletivo nas comunidades intermunicipais e nos territórios de baixa densidade». A comunidade acredita mesmo que a «manter-se a falta de financiamento», pode estar em «risco a manutenção da rede de transportes e com forte impacto ao nível dos milhares de estudantes e trabalhadores que todos os dias precisam de recorrer a transporte público, opção coletiva mais sustentável para o ambiente e mais acessível aos cidadãos».