Numa altura em que a população tem estado muito tempo fechada em casa devido à pandemia e a maior parte dos setores económicos tem sofrido uma grande perda de receitas, o setor dos videojogos continuou a crescer durante os longos meses de confinamento. Sem oportunidade para sair à rua, as comunidades de gaming servem de refúgio para os jogadores de diferentes idades manterem o contacto entre si, respeitando todas as regras de distanciamento social.

Pedro Matias, natural de Carrascal (Alcobaça), explica ao nosso jornal que estas comunidades são criadas com diversos objetivos: podem ser criadas «por amigos com o intuito de manter o contacto uns com os outros» ou para «facilitar a cooperação» entre jogadores com chamadas de grupo ou mensagens. Leonardo Ferreira, de Alcobaça, aponta, ainda, outra razão: utiliza estas comunidades como fonte de «informação sobre determinado jogo», tentando «ser um melhor jogador».

Uma das comunidades em que Pedro Matias está inserido nasceu no Algarve, com um grupo de amigos que foi «coletando pessoas», e que agora é «uma comunidade nacional, se calhar, até mesmo internacional» com amigos de fora, «bem como da Madeira e dos Açores». À medida que as comunidades vão crescendo, fica facilitada a «criação de novos contactos», explica Pedro Matias que qualifica a experiência de conhecer ao vivo as pessoas com quem joga, como «ótima», pois consegue «colocar uma cara e uma voz à pessoa» que vai conhecendo inicialmente online. O gamer adianta ainda que apesar de já não jogar determinados jogos através dos quais travou conhecimento com outras pessoas que partilham da mesma paixão, «que vão desde os Estados Unidos à Índia», ainda hoje mantém muitos desses contactos.

Para Rafael Carreira, de Porto de Mós, aplicações como o Discord têm sido um «facilitador de interações», juntando «todo o grupo», não obstante as limitações em vigor. Pedro Matias partilha da mesma opinião. Não pode «sair à noite», no entanto «o chat torna possível manter o contacto, mesmo não estando no mesmo local físico», apesar disso reconhece que sente «falta de estar com as pessoas mais próximas». Relativamente ao impacto da pandemia na sua vida confessa que ao contrário da maioria das pessoas «só mais recentemente» é que começou a sentir «stress por estar sempre fechado no mesmo sítio e não sair de casa» acreditando que os videojogos foram um excelente apoio durante o confinamento já que o «ajudaram a manter o cérebro a trabalhar ativamente para um propósito» e isso, acredita, foi o que lhe permitiu «preservar a sanidade».

“Cada vez se vê mais jogadores com idades mais avançadas”

Os videojogos foram durante longos anos vistos como um passatempo para crianças, no entanto, hoje em dia, já não é o caso. Leonardo Ferreira refere que «cada vez se vê mais jogadores com idades mais avançadas», na sua maioria pessoas que iniciaram quando «começaram a aparecer os jogos». No entanto, acrescenta que já encontrou «pessoas de 60 anos», acreditando que isto é uma tendência que se vai manter no futuro. A comunidade onde Pedro Matias está inserido é «um bocado mais velha», com idades compreendidas entre os «22 e os 50 anos». Já o jovem Rafael Carreira, embora normalmente jogue com pessoas próximas da sua idade, tem «conhecimento de pessoas muito mais velhas e muito mais novas» nesta atividade.

O setor dos jogos de vídeo está em forte crescimento. Em novembro de 2020, em plena pandemia, a Sony e a Microsoft, duas das maiores empresas da área no mundo, lançaram as suas consolas da 9.ª geração, e mesmo com as lojas fechadas por todo o mundo, a PS5 e a Xbox Series X/S rapidamente ficaram esgotadas. De 2019 para 2020 a indústria dos jogos cresceu em 20%, e as previsões apontam para a continuação deste crescimento nos próximos anos. Os esports (desportos eletrónicos) também têm contribuído para o crescimento deste setor, sendo o campeonato do mundo de League of Legends um bom exemplo disso: no ano passado contou com 3.8 milhões de visualizações na partida final.

Isidro Bento | revisão