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Conferência discute envelhecimento ativo e saudável

30 Julho 2021
Isidro Bento

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Isidro Bento

30 Jul, 2021

O modelo que tem orientado as políticas e as práticas relativas ao envelhecimento ativo está em mudança. Hoje, ao ativo junta-se o saudável e é fundamental que isso se reflita cada vez mais e tão rápido quanto possível na vida dos nossos idosos. O alerta foi deixado por Luísa Pimentel, professora na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Instituto Politécnico de Leiria (IPL), uma das oradoras da conferência sobre envelhecimento ativo e saudável promovido pelas Mulheres Social Democratas do Distrito de Leiria e que teve como palco o Espaço Jovem, em Porto de Mós.

O conceito oficial em si permanece nos principais documentos orientadores nacionais e internacionais mas nos últimos anos tem sido enriquecido com outros elementos, explicou a docente do Ensino Superior chamando a atenção para o facto de que «os esforços no sentido de desenvolvermos programas, iniciativas e projetos que permitam o envelhecimento ativo, saudável, positivo e bem-sucedido devem ter em conta a diversidade dos gostos, dos interesses, das vontades e necessidades dos idosos e não enveredar por um caminho em que se acaba por cair numa certa ridicularização e infantilização destes. Assim, e exemplificando, Luísa Pimentel, diz que um idoso «deve ter a possibilidade de participar num desfile de carnaval vestido de Rato Mickey ou de Minnie se o quiser fazer mas não deve ser, de forma alguma, obrigado». «Se isto para as crianças é já quase ofensivo, quanto mais para as pessoas mais velhas» realça.

«As pessoas não devem ser discriminadas por gostarem de realizar este tipo de atividades [nas quais se incluem algumas que estamos mais habituados a ver entre jovens adultos] mas o que aconteceu nos últimos anos é que de certa forma se transformou esta ideia numa imposição: As pessoas têm que se divertir, têm de participar em atividades deste género, têm de estar muito satisfeitas e sorridentes e muito felizes e não podem ser e fazer de outras formas que não se adequem a esta lógica, a este modelo de atitude que se pretende que as pessoas tenham», sublinhou reforçando a ideia também já deixada por um elemento do público que disse que «o envelhecimento ativo é uma moda que já cansa porque nem toda a gente tem de fazer exercício físico para ter uma velhice feliz» e que «há a ideia de que manter-se saudável é fazer exercício físico mas nem sempre. Temos também de manter uma mente saudável e isso passa por diversos tipos de estímulos».

«O modo como envelhecemos deve resultar de escolhas e não de imposições. A vida deve ter um propósito, um sentido, e o que muitas vezes acontece é que as pessoas realizam atividades só porque sim, só para estarem entretidas. Ora, é preciso que tenham objetivos na vida, precisam de um propósito e que haja uma meta para que possa haver um princípio e um fim», acrescentou.

Por outro lado, cada pessoa é única e o envelhecer de forma ativa e com qualidade pressupõe que tenha autonomia e capacidade de decisão naquilo que lhe diz diretamente respeito, não pode ser tratada como uma criança e olhada como se não tivesse uma identidade própria. Portanto, não devem ser terceiros a definir as escolhas mas, sim, a procurar saber aquilo que os seus idosos estão interessados em fazer», referiu.

Outra das ideias defendidas pela docente do IPL assenta no chamado “Ageing in Place”, ou seja, em medidas de promoção do envelhecimento em casa e na comunidade. Pegando no mais recente trabalho de António Fonseca, professor universitário e investigador, Luísa Pimentel explicou que há cada vez mais a preocupação de que as pessoas não saiam dos seus contextos, que continuem a poder envelhecer em casa e na comunidade, no entanto, e tal como o coordenador do livro “Ageing in Place” advoga que esse direito seja usufruído não só pelas pessoas que estão em casa mas também por aquelas que se encontram em instituições. Encontrar a melhor forma para que quem está institucionalizado continue a interagir com a comunidade de onde é oriunda será o grande desafio para os responsáveis por estas entidades públicas e privadas.

Nesta conferência coube à vereadora da Ação Social, Telma Cruz, representar o município tendo a sua intervenção sido marcada pela caracterização do concelho a este nível, a que se seguiu a apresentação das medidas e políticas implementadas pelo atual executivo, ou a que deu continuidade, para promover o envelhecimento ativo e saudável. A responsável defendeu que isso só se consegue com um conjunto de respostas diferentes entre si mas que se interligam como «a segurança, a saúde, o conforto habitacional, o rendimento, os apoios sociais, o apoio psicológico e a sustentabilidade ambiental».

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