Foto: FPE

Nos dias 16 e 17 de novembro, o Cineteatro de Porto de Mós acolheu o 7.º Congresso Nacional de Espeleologia, organizado pela Federação Portuguesa de Espeleologia (FPE). O evento contou com 27 apresentações proferidas por 22 oradores, e 140 pessoas na assistência.

O presidente da FPE, Vítor Amendoeira, disse a O Portomosense que «correu muito bem» e explicou que o objetivo do congresso é «reunir os trabalhos que são feitos em espeleologia», sendo relatadas «expedições internacionais», como Timor, México, Moçambique ou Cabo Verde, e também «expedições nacionais, ou seja, a continuação do estudo do nosso património espeleológico». Este fim de semana é, assim, «um congregar desses estudos» e um «momento importante para todos os espeleólogos mostrarem o que é que andaram a fazer nos últimos tempos, trocar essa informação entre eles».

A escolha de Porto de Mós para albergar este evento é fácil de explicar: «O primeiro congresso foi em Porto de Mós, já lá vão uns anos, e sempre fomos bem tratados e acarinhados», refere. Além dessa questão, mais pessoal e afetiva, «o Maciço Calcário Estremenho tem uma zona bastante vasta, as Serras de Aire e Candeeiros são onde a maioria das associações faz espeleologia. Podemos chamar-lhe o nosso queijinho suíço, onde há mais grutas e mais trabalho para fazer», afirmou. É por estas razões que os espeleólogos dizem «muitas vezes que a capital da espeleologia em Portugal é Porto de Mós».

NEL apresenta projeto inovador

O Núcleo de Espeleologia de Leiria (NEL) esteve, no domingo, no Congresso a apresentar o projeto Escola de Espeleologia para Todos. A exposição foi feita por Luís Serafim Coelho que, a par de Marco Dias, lidera o projeto.
O responsável pela secção de espeleologia do NEL, Marco Dias, explicou, em declarações a O Portomosense, que este projeto surgiu de «um desafio que a Câmara de Porto de Mós lançou» ao Núcleo, «no sentido de se criar um algar-escola para dar oportunidade a outras pessoas, que não espeleólogos, de fazer espeleologia». «O projeto nasce na ótica de criarmos a espeleologia para todos e a nossa ideia foi tentar tocar em várias áreas», proporcionando «a espeleologia a pessoas que de outra forma não o conseguiriam fazer» com a criação «de uma estrutura para proporcionar a visita a cavidades por pessoas com alguma mobilidade reduzida», esclarece. Marco Dias afirma que «a melhor maneira de descrever o projeto» é dizer que «o objetivo fulcral é realmente a espeleologia para todos, dar a oportunidade a todos indiscriminadamente».

Como a zona de implementação do projeto é o município de Porto de Mós, edificado sobre o Maciço Calcário Estremenho onde há «um grande número de grutas, algares e lapas», o «projeto terá alguma ligação com as populações», nomeadamente na identificação dos locais e «tentar fazer a promoção da proteção do património e do ambiente». «Durante muitos anos, as populações olhavam para as cavidades como fenómenos da natureza desconhecidos e portanto usavam estas aberturas no solo como aterros naturais», devido a essa postura, «há situações em que chegamos às cavidades e há montes de lixo, cadáveres de animais e por aí fora. As pessoas não têm noção que ao colocarem [o lixo] ali estão a pôr-se em risco, porque uns metros mais à frente estão a recolher água de um furo», aponta Marco Dias. Embora reconheça que esta realidade possa ser «um bocadinho relativa porque estamos a falar do Maciço Calcário Estremenho em que é tudo roto», afirma que as pessoas «têm esse desconhecimento». Assim, o NEL considera que se as pessoas «fizerem uma incursão na cavidade, facilmente vão conseguir assimilar este conhecimento e perceber a importância do que se tenta transmitir». O coordenador reitera que «há a necessidade de mudar este comportamento ambiental» e que, para isso, serão feitas «ações de divulgação, sensibilização e explicação do meio cavernícola» para assim «criar uma consciencialização».

O responsável pelo projeto afirma que a sua importância «tem a ver muito com o conceito de defesa do património»: «Há grutas que mantêm grandes jazidas de água potável e, portanto, é importante ajudarmos o Município ou as entidades competentes a reconhecer e a identificar os locais onde essas jazidas se encontram», aponta. Além disso, «como é sabido, estamos a atravessar uma fase difícil ao nível do clima e portanto é importante pensarmos nisso», lembra. Marco Dias considera que «o papel do espeleólogo é dar a conhecer essa informação, por outro lado a defesa do património e, por fim, dar a conhecer à comunidade aquilo que eles têm porque isto é de todos».
O projeto esta «numa fase de estudo preliminar», o NEL está a fazer o «levantamento das cavidades» e «convém perceber quão viáveis são para serem enquadradas em cavidades a serem visitadas». «Normalmente poderia ser uma coisa muito rápida, mas como queremos fazer uma coisa que seja para durar, para o futuro, isto leva algum tempo. Temos a expectativa que no primeiro semestre de 2020 já possamos fazer as primeiras atividades com grupos de escolas ou de pessoas da comunidade», adianta o espeleólogo.