No dia 17, o Município de Porto de Mós, em conjunto com a Assembleia Municipal, organizou o webinário COVID-19: Conhecer para vencer. A conferência foi moderada por Clarisse Louro, tendo Jorge Vala tido um papel de contextualização da situação no concelho. O painel de especialistas foi composto por Ricardo Baptista Leite, médico com formação em Infectologia e vice-presidente da bancada parlamentar do PSD na Assembleia da República; Ricardo Mexia, presidente da Associação dos Médicos de Saúde Pública (AMSP); e Ana Rita Cavaco, bastonária da Ordem dos Enfermeiros (OE). As medidas adotadas pelo Governo para o Natal e a chegada da vacina ao país mereceram destaque, não deixando de lado a falta de delegada de Saúde no concelho.

Ricardo Mexia referiu que Porto de Mós é apenas um exemplo «da fragilidade da estrutura de Saúde Pública» no país. De acordo com o especialista, «as autarquias têm tido, e vão continuar a ter, um papel muito importante» para suprir esta lacuna e a sua «articulação com as autoridades de Saúde é, seguramente, fundamental». Também a bastonária da OE se pronunciou sobre o assunto, referindo-se aos enfermeiros. Ana Rita Cavaco informou que, em abril, a OE fez um levantamento de quem são os enfermeiros especialistas na área e de onde estão a trabalhar e, por isso, considera que as equipas só não foram reforçadas «porque o Governo não quer, porque não tomou a opção melhor e também porque não quer gastar dinheiro com especialistas».

Natal sem restrições vai trazer “onda” em janeiro

Ricardo Baptista Leite começou por lembrar que passaram nove semanas «desde o início das medidas restritivas da segunda vaga» e que a situação continua a não estar controlada. «Aquilo que está a ser implementado do ponto de vista das medidas da autoridade de Saúde e do Governo, está a ser claramente insuficiente para esmagar a curva das novas infeções e para permitir o retomar do controlo da situação», afirma. O deputado defende que «não houve coragem», por parte do Governo, para «assumir» medidas mais severas no Natal e que, por isso, têm de ser os cidadãos «a assumir que este Natal vai ser diferente, não vamos poder expor as nossas famílias a situações de risco porque, caso contrário, a fatura que se vai pagar, aparecerá em janeiro ou fevereiro», frisou.

Ricardo Mexia partilha também da opinião de que «não podemos baixar a guarda» e de que o aligeirar das restrições, «sendo popular», pode não ser a melhor solução. O presidente da AMSP acrescenta que «o final do mês de dezembro e o início de janeiro são tipicamente momentos do pico de incidência da gripe» e que, assim sendo, isto é a «tempestade perfeita para que o mês de janeiro venha, de facto, a ser muito complicado».

«Sabemos que temos as vacinas a chegar, mas de forma muito lenta e não é no dia a seguir a vacinarmos que a situação está controlada ou resolvida», alertou o especialista, ressalvando, no entanto, que «a vacinação é uma medida muito importante» e que, «provavelmente, vai ser a saída para a pandemia». Sobre o receio das pessoas, Ricardo Mexia lembra que esta vacina não começou, agora, a ser «desenvolvida do zero» e que, parte dela, tem um «tempo de desenvolvimento de mais de 30 anos». Como todas as outras terapêuticas, pode ter efeitos adversos, mas que serão acautelados uma vez que a vacina «não será administrada sem um contexto que permita reverter qualquer situação mais negativa». Ricardo Batista Leite completa esta afirmação com o exemplo de outros países, com a campanha já em curso, e em que «estão a vacinar-se dezenas de milhares de pessoas por dia, e os casos de reações alérgicas, além de serem resolvidos no local, são raríssimos». Faz também um apelo a que «quem tiver acesso à vacina, se vacine», fazendo o início de «uma caminhada para que no Natal de 2021 já nos possamos abraçar».

Ana Rita Cavaco deixou a convicção de que os enfermeiros estão preparados para a jornada de trabalho que aí vem. «Se vamos precisar de contratar mais enfermeiros? Provavelmente sim, assim como assistentes administrativos para convocar as pessoas, mas não tenho dúvida nenhuma sobre aquilo que vai ser a atuação dos enfermeiros», sublinha. A bastonária disse também que, provavelmente, será necessária a cooperação das Câmaras e das Juntas para providenciar espaços que serão «super centros de vacinação, em termos de espaço físico, com todas as condições que temos nos centros de saúde, por causa das reações adversas, dos registos…» e que permitam manter o distanciamento social que, nos centros de saúde, por serem «espaços pequenos e fechados», não é possível. Ana Rita Cavaco concluiu, afirmando que sabe que «as entidades da comunidade não vão falhar», quando for necessária esta resposta.