Na reunião de Câmara do dia 31 de maio o executivo aprovou por maioria a Prestação de Contas do Município de Porto de Mós, relativa a 2020. De acordo com nota da autarquia, «o principal destaque vai para a saúde financeira do município, que atinge o melhor nível dos últimos 20 anos. Desde o início deste mandato a dívida total da autarquia reduziu mais de 1 milhão e 300 mil euros; a autonomia financeira aumentou mais de 20% e a liquidez imediata, ou seja, a capacidade das disponibilidades financeiras correntes do Município responderem ao passivo corrente, disparou, passando de 196,47% em 2017 para 418,90% em 2020. De referir, ainda, que o prazo médio de pagamentos passou de 12 dias, em 2017, para 8 dias em 2020».

Na mesma nota aponta-se que «estes indicadores são resultado de uma gestão rigorosa, que permitiu garantir grande dinâmica durante todo o mandato, bem como assegurar o apoio extraordinário necessário durante a pandemia, não desviando, nunca, o foco essencial na gestão da coisa pública». As rubricas com maior valor alocado são as da saúde e da ação social, que juntas perfizeram «um montante superior a 302 mil euros em 2020, com um aumento superior a 400% em relação ao ano anterior», potenciado pela chegada da pandemia e pelos apoios dados nesse âmbito. «Destaca-se, ainda, o aumento dos apoios financeiros, para o movimento associativo, corporações de bombeiros e juntas de freguesia».

O Partido Socialista, representado no executivo por Rui Marto e Anabela Martins, absteve-se e enviou à nossa redação a declaração de voto onde realça «a fraca execução orçamental no que toca à despesa de capital – inferior a 54%». De acordo com o documento, os vereadores não são «insensíveis» às consequências da pandemia, mas consideram que não se pode «argumentar e contra argumentar com base apenas e só na sua existência». «Uma execução de despesa de capital, previamente aprovada em sede de orçamento, depreende-se que com bases sólidas e/ou vontades bem determinadas de as atingir, devidamente delineadas em sede de vontade política, que depois não chegam a ver a luz do dia, pouco menos de 50%, só nos podem levar a concluir que o orçamento apresentado e sucessivamente revisto, nunca passou de um documento para eleitor ver», lê-se.

O mesmo documento dá ainda conta de que «por mais que se afirme o contrário, o sistemático adiamento da ALE de Porto de Mós, compromete de forma irreparável a capacidade do Município de Porto de Mós se posicionar na linha da frente na captação de investimentos, consequentemente empregos e consequentemente pessoas para o nosso concelho, num período pós-pandemia. Por mais que se argumente o contrário, a responsabilidade no atraso na ALE, como no saneamento da EN8, ou até no Centro de Saúde de Pedreiras é da exclusiva competência dos elementos do atual executivo – presidente e vereadores com pelouros atribuídos», salienta-se. O PS dá, então, conta de que, uma vez que o documento está «bem elaborado», apenas «resta a abstenção como forma de demarcação das prioridades do atual executivo».