A chegada da pandemia COVID-19 veio alterar a vida dos cidadãos portugueses e, bem assim, de todos os residentes no concelho de Porto de Mós. Com o encerramento de escolas, cafés e restaurantes, assim como das repartições públicas, os portomosenses foram forçados a mudar os seus hábitos, permanecendo mais tempo em casa, grande parte a acompanhar os filhos, muitos deles em idade escolar. Também as unidades de saúde, as forças de segurança e as corporações de bombeiros, de modo a prestar um melhor serviço aos cidadãos, alteraram as suas normas de trabalho e de funcionamento.

No caso das corporações de bombeiros do nosso concelho, todas optaram por encerrar os quartéis, só permitindo o acesso ao pessoal de serviço, e suspenderam os transportes de doentes não urgentes, excetuando aqueles que têm tratamentos imprescindíveis, como hemodiálise e oncológicos mantendo os serviços de emergência e socorro. Foram ainda criadas condições de segurança e proteção do pessoal, nomeadamente desinfeção de todos os espaços do aquartelamento e das viaturas, além de criarem equipas de trabalho, mantendo uma parte dos bombeiros em casa. O Portomosense ouviu os comandantes das três corporações, Porto de Mós, Juncal e Mira de Aire que explicaram o modo de funcionamento neste período.

Elísio Pereira, comandante dos Voluntários de Porto de Mós, afirmou que foram tomadas «algumas medidas necessárias», sendo uma delas «a divisão do Corpo de Bombeiros, tanto a parte profissional como a parte de voluntários, em três equipas de dois grupos, e cada grupo assegura o trabalho durante 14 dias, ficando os outros de reserva». O comandante refere que com esta medida se consegue «uma rotatividade», sendo que «isto requere um esforço enorme, tanto para os profissionais como para os voluntários» que asseguram os serviços durante a noite.
Elísio Pereira adianta que se nota «alguma ansiedade no pessoal, que não sabe se terá algum problema», no entanto, as normas agora implantadas na corporação «foram aceites sem grande problema, pelo que os bombeiros estão de parabéns», sublinha.

Também o comandante dos Voluntários do Juncal, José Silva, se pronunciou, começando por dizer que tomaram medidas «logo no dia 13 de março», adiantando que constituíram «equipas reduzidas, de forma a haver o distanciamento social exigido», mantendo a prontidão. Depois de explicar que tudo «foi articulado com o coordenador municipal e comandante distrital», o responsável enfatiza que os profissionais assumiram «estas duas semanas, que é o período em que existe o foco maior de contágio».

Admitindo a redução de alguns serviços, José Silva, sustenta que «houve elementos que ficaram um pouco reticentes com estas regras», no entanto «aceitaram-nas sem grandes problemas», acontecendo o mesmo com a população, o que o deixa duplamente satisfeito.

Por sua vez, o comandante dos Voluntários de Mira de Aire, Hélder Gonçalves, disse que na sua corporação «houve muitas alterações», adiantando a suspensão de alguns serviços, bem como a «suspensão de escalas, de modo a proteger os voluntários e suas famílias». Tal como as outras corporações, aqui constituíram-se equipas para que não haja o perigo de contágios. O comandante afirma que estas regras «foram assumidas de comum acordo», não havendo quaisquer objeções por parte dos bombeiros, sendo que também a população local aceitou bem estas medidas.